Acaba Lost, um dos seriados mais badalados do Brasil.
Mas será que Lost acabou mesmo? Tecnicamente todos deveriam ser encontrados, se situarem, inclusive os espectadores. Não, melhor, considerando que eram o público - para quem se destinava o seriado - era imprescindível que eles conseguissem entender alguma coisa no fim do seriado. But I still totally lost.
Segundo o site globo.com mais de 15 mistérios da série não foram resolvidos.
Para mim isso só tem um nome, sacanagem. Ou melhor, indústria cultural.
Eu tento imaginar quantos mini-roteiros foram escritos e re-escritos na ausência de um roteiro original consistente, e quanta psicologia da comunicação (ou do behaviorismo) foi aplicada na telinha durante as seis temporadas.
Sim, ao ver que a audiência aumentava provavelmente a equipe de roteiro se emocionou, foi vendo as reações do público e da crítica, foram inventando, complicando, nos entretendo, até não poder dar mais conta do recado e do bicho que criaram. E enquanto isso faturavam consideravelmente.
Existem poucos roteiros consistentes na tevê e cinema. A questão central já não é mais a completude do que se faz (mesmo quando a intenção realmente é deixar as coisas em aberto) mas o quanto de dinheiro se pode tirar do espectador fazendo reciclagem do nosso intelecto.
O primeiro filme Matrix foi muito bom, original, completo. Alguns anos depois, analisando o mercado e o sucesso do primeiro fizeram o segundo e o terceiro. O segundo foi uma experimentação de tecnologia de efeitos especiais que tinha um roteiro como desculpa para existir, e o terceiro uma enjambração para resolver os pontos de roteiro que o dois tinha deixado furados.
Não é assim com Senhor dos Anéis, um romance, completo, também trilogia.
E o que foi A Favorita? Que enrolação foi aquela? Três semanas de últimos capítulos, onde o mocinho vira vilão, o vilão, mocinho... É o fim da picada a enquete no site globo.com "o que deve acontecer com Silveirinha nos últimos capítulos?".
Lembro de Caverna do Dragão, no qual o final também deixou algumas coisas em aberto. Mas é totalmente diferente: cada episódio tinha seu problema e desfecho, tudo fechado na história.
É, ainda prefiro House.



