Pois é galera, quando eu digo que a mensagem de Cristo não tem nada a ver com a fundamentação moral da nossa cultura ocidental, tem gente que discorda.
Mas todos os sinais que recebo confirmam esse pensamento: nos Estados Unidos chamam o Natal de Xmas, colocando o 'X' no lugar de Cristo, e o Brasil segue a tendência americana (em tudo, inclusive nos tiroteios escolares...).
Li uma matéria no site Msn.com, que relatava a comemoração da páscoa por alguns atores globais. A unica menção 'religiosa' era dos judeus que comemoravam a Páscoa judaica, a 'Pessach'. Eles articulavam elementos de cultura, tradição e 'valores' (um termo extremamente vago quando inserido nessa sopa pós-moderna que é a cultura ocidental) e falavam da tradição judaica.
Eu lia, procurando algo parecido com um relato de uma comemoração cristã. Afinal de contas, se comemoramos a Páscoa enquanto ocidentais, é pelo seu valor na tradição cristã, da vitória sobre a morte que Jesus Cristo oferece, com a sua ressurreição. Acabando um pouco minha paciência, digitei na opção 'localizar' o termo Jesus. E encontrei. Encontrei uma menção a Jesus Luz, o ex-namorado da Madona, que comemorava a Pesach judaica por fazer parte da Cabala, como a cantora.
Inacreditável. Parecia sintomático. Não se fala em lugar algum, na grande mídia, da Páscoa Cristã, como morte e ressurreição de Cristo. Quando não se opta a falar de futilidades consumistas e se tem uma abordagem religiosa, se fala da tradição judaica, de 'cultura', valores de antepassados, de moralidade circunstancial. Mas falar do 'grito do sofrimento' de Cristo não se fala. Porque não vende nem a alegria fictícia que a sociedade comemora, nem a religiosidade vazia, ecumênica, que alimenta a profunda carestia espiritual das pessoas.
Talvez argumentem que o que falta é a alegria: "se falar de morte? Qual é! Não há assunto que queiramos mais evitar! Vivemos em um mundo 'higienizado da morte'. Vamos viver para sempre". É essa a ilusão que já se incorporou ao discurso de muitos: 'viva la vida'. Objetos, músicas, moda, estudo. Não falamos da realidade pessoal da morte. Em nossa sociedade vacinada contra Cristo, a Páscoa é um tema ainda mais aterrorizante.
Dizem que falta 'alegria', na tristeza da paixão e morte de Cristo. Eu, porém, lhes digo (parafraseando a chamada famosa de Jesus) que não encontraram jamais a verdadeira alegria da Páscoa (e da sua vida) se não enfrentarem o medo aterrador da morte. Ao fazerem, encontraram consigo Cristo - vivo, ressuscitado - e compreenderão que durante todos esses anos, a festa cristã era de verdadeira alegria, e não de luto. Compreenderão que só se vive profundamente a alegria da vida após se chorar a tristeza da morte.
Morrer para si mesmo e renascer para o Outro. Morrer para si mesmo e renascer para o Amor. Morrer para si mesmo, e nascer para Deus.
Feliz páscoa.
Bem vindo ao "Pensar não é pecado": o juntar de uma miscelânea de coisas que me interessam pessoalmente; textos sobre arte, música, poesia, fé na humanidade e teologia cristã, entre outros temas. A proposta desse blog é ser um espaço para livre exposição de ideias, de produção artística e de compartilhamento, além de manter contato com amigos próximos e mais distantes. Um abraço a todos, e sejam bem vindos!
domingo, 24 de abril de 2011
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Pai nosso/Pão nosso: a saga de um recém furtado em São Paulo...
Pois é gente, cheguei, de fato, em São Paulo.
Ontem minha mochila foi furtada da frente da igreja em que eu trabalho. Foi um descuido meu, admito; deixei-a ao lado de alguns adolescentes que ao entrarem na igreja deixaram-na sozinha na calçada. Alguém passando na rua se condoeu da solidão da minha mochila e a levou consigo. Foi um furto, não um roubo. Mas de qualquer forma fica aquela sensação de que os telejornais daqui estão 'corretos' e que fazem um serviço público ao aparentemente exagerar na cobertura de crimes cotidianos. Hoje no café da manhã quase cheguei a simpatizar com um aspirante à Datena da Rede TV; ' é, o rapaz tá certo, vivemos tempos difíceis...'.
Dentro da minha mochila (que era em si mesma o ítem material mais caro do furto) estavam todos meus documentos (com exceção de um RG que tenho que servia pra me tirar de vez da cabeça de que eu sou feio; era bem mais aos doze anos), cartões de banco e crédito,algum pouco dinheiro e meu pendrive menor (o maior estava em casa 'guardado por Deus' sem contar 'vil metal').
Bom, depois que percebi que tinha sido furtado - depois do 'já era' clássico - cancelei todos os cartões, vi que não tinham sido usados, fiz o B.O (tenho impressão que o apelido desse documento na delegacia é Bobo Olhando), voltei para casa um pouco aliviado. Até que lembrei de um pequeno detalhe.
Meus passes do Restaurante Universitário estavam dentro da mochila. Agora, sem quase nenhum dinheiro e com os cartões extraviados lidar com isso não seria fácil. Bom, como a necessidade faz o homem, segui alguns conselhos e fui procurar o 'pai de todos', o Estado, pra me ajudar.
Na Coordenadoria de Assistência Social da USP, contei minha saga para a assistente social. A moça simpática me fez algumas perguntas e depois de eu assinar algumas coisas me deu vale-refeição do RC, mais do que eu tinha. Disse também que se não conseguisse resolver as coisas até mês que vem, eu receberia vales também no mês que vem. Por fim ainda disse que eu poderia me inscrever para morar até o segundo semestre no CRUSP, o conjunto residencial da universidade.
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Já com o coração gratíssimo às pessoas que me ajudaram, fui para o Restaurante. Servi meu prato, sentei, olhei bem pra ele e resolvi orar um Pai Nosso baixinho. A parte do "Pão Nosso de cada dia, dai-nos hoje" soou especial. Percebi essa semelhança na tradução: Pai Nosso, Pão Nosso - a semelhança das palavras revela, talvez por acaso, a essência provedora de Deus, que como o pão, nós dá sustento. Eu, a alguns momentos atrás estava sem dinheiro e esperança de conseguir esse auxílio (pois não sou bolsista da Assistência Social) e agora eu estava comendo, e sem motivos de preocupação quanto a esse assunto.
De repente, sem perceber, senta a duas mesas à minha frente, a assistente social que me ajudou, virada para mim. Ao me ver comendo ali, ela dá um sorriso discreto para mim, e eu respondo com um aceno não tão discreto assim. Fico um pouco constrangido, mas também feliz pela cena.
"Aquele que alimentar a um desses meus pequeninos...". Ah, se ela soubesse!
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Gabriel Moreira
Tirinhas: Criação
Deus tem um grande Sintetizador no Céu, com incríveis timbres, cósmicos.
Vez ou outra ele aperta uma tecla, ou duas, e surge uma nova espécie animal ou vegetal.
Vez ou outra ele aperta uma tecla, ou duas, e surge uma nova espécie animal ou vegetal.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Se ainda há tempo: o terremoto de Tokyo e a teologia de Jesus (Lc 13.1-5)
Olá pessoal.
Tem uns textos nos evangelhos que quando nós lemos nos perguntamos se realmente estamos lendo a Bíblia. Sim, porque nunca pregam sobre esses textos, ou quando o fazem, dão uma ênfase totalmente diferente da que o próprio texto tem, dentro do seu contexto específico. Esses textos saltam aos olhos e dizem coisas incríveis.
Um deles é o texto que narra a queda da Torre de Siloé e a consequente morte de dexzoito galileus.
No texto de Lucas 13, versos 1 a 5, o evangelista narra a seguinte situação: a fofoca da vez era a queda da Torre de Siloé que matou dezoito galileus, cujo sangue Pilatos (o então rei da Judéia) misturou com os sacrifícios que eles ofereciam (tudo indica que ofereciam os sacrifícios na própria torre). Todos falavam e discutiam esse assunto, e chegaram a Jesus perguntando e sugerindo que os galileus haviam sido mortos por serem pecadores. Olhe a resposta de Jesus:
Pensais que estes galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem padecido estas coisas? Não eram, eu vo-lo afirmo; se porém não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis.(Lc 13. 1-3)
e continua:
Ou cuidais que aqueles dezoito sobre os quais desabou a Torre de Siloé e os matou eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não eram, eu vo-los afirmo; mas, se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis (v. 4-5)
Quando em 2004 um tsunami varreu a Indonésia, vi um número considerável de teólogos e pastores reputando tal feito como uma retaliação divina à perseguição da igreja naqueles países. Em 2010, quando houve um grande terremoto no Haiti, outros responsabilizaram a magia negra daquele país.
Parece entretanto, que Jesus dá uma cartada final nessa história de relacionar sofrimento e catástrofes com justiça ou injustiça dos que as sofrem. Numa das curas que Cristo operou, curando a cegueira de um jovem, Jesus pediu aos fariseus que tirassem 'o cavalinho da chuva' ao tentar responsabilizar o rapaz e seus pecados pela cegueira que este carregava. O próprio velho testamento nos ensina que pessoas boas, como Jó, sofrem sem culpa a lhes ser imputada (ótimo livro a esse respeito é A bíblia que Jesus Lia do Phillip Yancey).
Jesus Cristo diz, na ocasião da queda da torre de Siloé, que o verdadeiro 'perecer' era morrer sem arrependimento, ou melhor, viver sem esse arrependimento. "Todos de igual modo perecereis" (v.5), certamente não se refere à todos terão mortes desastrosas como as desses galileus. Jesus afirma que todos são igualmente culpados, ao dizer que os galileus mortos não eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém. Perante o Reino de Deus todos precisam de arrependimento, e esse era a pregação de Cristo. A morte está ai, a qualquer dia e de qualquer forma podemos morrer. A forma dessa morte - se numa catástrofe ou se na quietude do lar - não nos imputa justiça nem injustiça. O que importa é o arrependimento, e a justiça de Deus para nós.
É triste ver que na situação que diz respeito ao Japão muitos crentes se debrucem a emitir esses juízos morais com base na tragédia que ocorreu. A esses teólogos, podemos responder dentro de sua própria lógica: a não ser que nenhum cristão convertido tenha sido morto pelo tsunami e pelos terremotos, não se pode dizer que Deus castigou os incrédulos (que frase pesada pra se escrever!). Mas a bíblia nos diz que tal apreensão do fato não faz sentido algum. A soberania de Deus não se faz descartada aqui: ele faz brilhar o sol sobre justos e injustos, e a chuva também. O que realmente importa é viver o arrependimento do evangelho, caia ponte, caia teto, venha chuvarada... não perecemos, pela justiça de Deus em nós e não pela nossa própria.
Deus abençoe tod@s,
Gabriel
terça-feira, 12 de abril de 2011
Poeminha: Impressões sonolentas da aula de música
Pensem nisso como a
o violino faz o solo
Um fá sustenido, através do
patati, patata, a flauta, blá blá blá
Três compositores, hxxmxx a bdrhg
muito linda essa part
Soa como Mozart. O trabalho
ando preocupado com
Que totalmente
Um aluno de Henrique Oswald
Ele conhecia a música. ai minha cabeça!
a colchêia do compasso binário
Seis para o meio-dia
O almoço, cadê?
Não esqueçam do xerox,
O daquele livro, lá.
o violino faz o solo
Um fá sustenido, através do
patati, patata, a flauta, blá blá blá
Três compositores, hxxmxx a bdrhg
muito linda essa part
Soa como Mozart. O trabalho
ando preocupado com
Que totalmente
Um aluno de Henrique Oswald
Ele conhecia a música. ai minha cabeça!
a colchêia do compasso binário
Seis para o meio-dia
O almoço, cadê?
Não esqueçam do xerox,
O daquele livro, lá.
domingo, 10 de abril de 2011
Não postarei no domingo (será)?
Gente, uma campanha pra que vocês aproveitem algo dos sermãos dos pastores...hehe
Não vou postar nesse domingo (e ainda não sei como será nos outros). Vamos sair um pouco do PC e congregar? :-)
Abraços
Não vou postar nesse domingo (e ainda não sei como será nos outros). Vamos sair um pouco do PC e congregar? :-)
Abraços
sábado, 9 de abril de 2011
Regurgitando desgraças: o trabalho da mídia brasiliana.
Talvez contrário a uma tendência nacional, evitei ligar a TV nesses últimos dois dias. Basta abrir o Twitter e ver que desde o dia TAL, os assuntos mais falados na rede no Brasil são relacionados ao massacre do Realengo.
Todos ficamos consternados, sofremos, enlutamos junto com as famílias. Mas a televisão e a internet (os grandes conglomerados) vendo a 'boquinha' que o assunto representa, conseguem digerir, mas não processar a coisa toda. Depois de digerido uma vez,o assunto 'volta à boca' da população e se prepara para uma nova digestão, se tornando indigesto e trazendo novos problemas; resultantes, agora, da maneira que a grande mídia trata esses assuntos hediondos.
Após o primeiro impacto que as notícias causam, no seu poder informativo, se constróem discursos onde se procuram culpados. Depois disso, outros discursos procuram reler a história de todos ângulos possíveis, e nesses momentos quase se deifica o bandido. Procuram relíquias dele: vídeos, coisas nas entrelinhas, entrevistam a mãe do porteiro da escola... Que me interessa saber que a última refeição do cidadão foi arroz e frango, ou que a arma dele custo 250 reais, ou que ele disparou muito rápido? A que reflexão que tais 'informações' conduzem a população?
Com a desculpa de se fazer um serviço à população a grande mídia exagera, de forma doentia. Se não dá ideias a outros maníacos que querem fama e se vingar do 'mundo cruel', toda a 'moral' que se poderia extrair desse evento se perde nos detalhes sordidos dos programas da tarde e tablóides. São inescrupulosos; a essa altura da regurgitação da desgraça, os jornalistas não me convencem que estão realmente comovidos com a situação, e tampouco os âncoras dos tele jornais.
Depois que vi uma criança dizer que o bandido dessa situação lá em Realengo disparava muito rápido, com direito a um sorriso na cara, efeitos sonoros e uma pistola de mão, me convenço mais ainda de que ligar a televisão nesses dias pode ser mais um convite à banalização da violência do que uma atitude cidadã de condoer-se do sofrimento alheio.
Eu não quero saber mais dessa situação. Oro fervorosamente a Deus pelas famílias que realmente estão sofrendo, mas prefiro ficar no coro dos contrários nessa situação.
Todos ficamos consternados, sofremos, enlutamos junto com as famílias. Mas a televisão e a internet (os grandes conglomerados) vendo a 'boquinha' que o assunto representa, conseguem digerir, mas não processar a coisa toda. Depois de digerido uma vez,o assunto 'volta à boca' da população e se prepara para uma nova digestão, se tornando indigesto e trazendo novos problemas; resultantes, agora, da maneira que a grande mídia trata esses assuntos hediondos.
Após o primeiro impacto que as notícias causam, no seu poder informativo, se constróem discursos onde se procuram culpados. Depois disso, outros discursos procuram reler a história de todos ângulos possíveis, e nesses momentos quase se deifica o bandido. Procuram relíquias dele: vídeos, coisas nas entrelinhas, entrevistam a mãe do porteiro da escola... Que me interessa saber que a última refeição do cidadão foi arroz e frango, ou que a arma dele custo 250 reais, ou que ele disparou muito rápido? A que reflexão que tais 'informações' conduzem a população?
Com a desculpa de se fazer um serviço à população a grande mídia exagera, de forma doentia. Se não dá ideias a outros maníacos que querem fama e se vingar do 'mundo cruel', toda a 'moral' que se poderia extrair desse evento se perde nos detalhes sordidos dos programas da tarde e tablóides. São inescrupulosos; a essa altura da regurgitação da desgraça, os jornalistas não me convencem que estão realmente comovidos com a situação, e tampouco os âncoras dos tele jornais.
Depois que vi uma criança dizer que o bandido dessa situação lá em Realengo disparava muito rápido, com direito a um sorriso na cara, efeitos sonoros e uma pistola de mão, me convenço mais ainda de que ligar a televisão nesses dias pode ser mais um convite à banalização da violência do que uma atitude cidadã de condoer-se do sofrimento alheio.
Eu não quero saber mais dessa situação. Oro fervorosamente a Deus pelas famílias que realmente estão sofrendo, mas prefiro ficar no coro dos contrários nessa situação.
Na correria do dia: "a boa parte, a qual não lhe será tirada". (Lc 9.38-42)
Mais um dos lindos 'tocos' que Jesus dá na galera da bíblia.
Fico imaginando a situação. Jesus passando pelas cidades em que teria de visitar, decide parar numa aldeia e fica hospedado na casa de duas irmãs. Enquanto uma delas, Maria, aproveita a ilustre visita para sentar aos seu pés e ouvir, a outra, Marta, faz o 'costume das mulheres' da época; cheia de coisas para cuidar na casa, e preocupações para lidar, deixa a irmã a falar sozinha com Jesus.
A situação constrangedora não dura muito tempo; Marta não se aguenta e exorta a Jesus: "Senhor, não te incomoda que minha irmã me tenha deixado a servir sozinha? Dize-lhe, pois, que me ajude".
Ao responder, Jesus nem deixa quicar a bola: "Marta, Marta, estás ansiosa e perturbada com muitas coisas; entretanto poucas são necessárias, ou mesmo uma só, e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada".
Ia não soa como uma mensagem enviada diretamente para nós, cidadãos do século XXI? Às vezes chego a pensar se tal situação não foi uma enquete montada pelos três, para que Lucas narrasse esse fato e nos soasse estranhamente familiar, atemporal, e com tamanha pertinência, se encaixasse no nosso cotidiano.
Claro que isso que disse é uma brincadeira. Penso, na verdade, que todos temos a tendência de querermos garantir tudo segundo nossas forças; isso é estressante. São coisas que escolhemos para carregar, são opções que fizemos. E como diz o poeta 'cada escolha é uma renúncia, isso é a vida' (rs). Temos as seguintes opções: escolher, diariamente, entre ouvir as palavras de salvação de Deus - que protestam contra esse mundo da competição e corrida para o abismo - ou cair na correnteza e nos deixarmos levar por uma vida que nos tira dos pés de Jesus, onde aprenderíamos e poderíamos ensinar a outros.
Que parte não nos será tirada? Aquela semente que Cristo planta e que dá fruto eterno, o que podemos ver desde aqui. Todo o resto passará, e os cuidados desse mundo podem nos levar para longe do propósito de Deus.
Aqui em São Paulo esse estilo de vida parece regra. E tudo empurra para esse caminho.
Aqui, uma metáfora do que estou falando, se você deixar, a correnteza te leva aqui na cidade.
http://www.youtube.com/watch?v=viRC5kZikXE&feature=player_embedded
Vamos sentar aos pés de Cristo logo cedo, e durante o dia andaremos como seus discípulos.
Abraço
Fico imaginando a situação. Jesus passando pelas cidades em que teria de visitar, decide parar numa aldeia e fica hospedado na casa de duas irmãs. Enquanto uma delas, Maria, aproveita a ilustre visita para sentar aos seu pés e ouvir, a outra, Marta, faz o 'costume das mulheres' da época; cheia de coisas para cuidar na casa, e preocupações para lidar, deixa a irmã a falar sozinha com Jesus.
A situação constrangedora não dura muito tempo; Marta não se aguenta e exorta a Jesus: "Senhor, não te incomoda que minha irmã me tenha deixado a servir sozinha? Dize-lhe, pois, que me ajude".
Ao responder, Jesus nem deixa quicar a bola: "Marta, Marta, estás ansiosa e perturbada com muitas coisas; entretanto poucas são necessárias, ou mesmo uma só, e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada".
Ia não soa como uma mensagem enviada diretamente para nós, cidadãos do século XXI? Às vezes chego a pensar se tal situação não foi uma enquete montada pelos três, para que Lucas narrasse esse fato e nos soasse estranhamente familiar, atemporal, e com tamanha pertinência, se encaixasse no nosso cotidiano.
Claro que isso que disse é uma brincadeira. Penso, na verdade, que todos temos a tendência de querermos garantir tudo segundo nossas forças; isso é estressante. São coisas que escolhemos para carregar, são opções que fizemos. E como diz o poeta 'cada escolha é uma renúncia, isso é a vida' (rs). Temos as seguintes opções: escolher, diariamente, entre ouvir as palavras de salvação de Deus - que protestam contra esse mundo da competição e corrida para o abismo - ou cair na correnteza e nos deixarmos levar por uma vida que nos tira dos pés de Jesus, onde aprenderíamos e poderíamos ensinar a outros.
Que parte não nos será tirada? Aquela semente que Cristo planta e que dá fruto eterno, o que podemos ver desde aqui. Todo o resto passará, e os cuidados desse mundo podem nos levar para longe do propósito de Deus.
Aqui em São Paulo esse estilo de vida parece regra. E tudo empurra para esse caminho.
Aqui, uma metáfora do que estou falando, se você deixar, a correnteza te leva aqui na cidade.
http://www.youtube.com/watch?v=viRC5kZikXE&feature=player_embedded
Vamos sentar aos pés de Cristo logo cedo, e durante o dia andaremos como seus discípulos.
Abraço
sexta-feira, 8 de abril de 2011
O mistério da oração: as duas orações de Jesus.
Um dos grandes mistérios da Bíblia, que sempre moveu minha curiosidade é a oração. Não se duvida da sua importância; Jesus orou e com ele todos @s grandes homens e mulheres da escritura. Mas o mistério reside na grande questão: como 'funciona' a oração?
Essa pergunta não se sustenta por muito tempo, se formos honestos. Perguntar como 'funciona' a oração é tão insensato quanto perguntar como funciona um diálogo. Há um que fala e outro que escuta; depois, geralmente, os papéis se invertem. Embora saibamos que uma parte considerável das 'orações' do cidadão urbano moderno não seja assim - são mais discursos proferidos à Divindade do que conversas e súplicas que esperam resposta - entendemos que o verdadeiro mistério não se encontra ali. Não é esse tipo de 'funcionamento' que a grande maioria das pessoas procura conhecer.
Parece-me que o que se quer saber quando se pergunta a maneira de 'funcionar' de uma oração é o seguinte: como ela pode ser uma engrenagem boa o suficiente para que possa chegar a algum fim que eu desejo? Sim, coloca-se a oração como um meio de se alcançar a Deus; se a oração for poderosa Deus irá atender ao meu pedido. Além de as orações serem restritas apenas a pedidos nessa perspectiva, elas se tornam entidades, coisas em si, que podem ser poderosas ou não; perdem totalmente o caráter de diálogo, conversa, compartilhamento.
Uma características principal da conversa é a possibilidade que ela tem de fazer os discursos individuais serem modificados um pelo do outro. Ao conversar com alguém, a sua ideia principal (que era sua, apenas) se desenvolve de acordo com o rumo da conversa que é enriquecido por aquele que te ouve e responde enquanto você fala. Dentro dessa perspectiva, ao vermos a oração como diálogo com Deus, me pergunto se não deveríamos esperar o mesmo dessa conversa: que no falar com Deus, a sua voz construísse sobre nossa demanda particular um terceiro momento, do qual tudo - de bom - pode se esperar; o imiscuir da Palavra viva dele sobre nossas situações cotidianas, nos trazendo alívio, renovação e força para superar. E nas conversas alegres com Ele mais luz para agradecer e ver as coisas do ponto de vista dEle.
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Vejo isso acontecer em quase toda a Bíblia, mas principalmente nos Salmos. Podemos ver, nos Salmos imprecatórios - nos quais Davi está fulo da vida com alguma coisa, ou triste -, os estágios dessa conversa com Deus (vou usar o exemplo do Salmo 94, mas isso acontece com grande frequência). Num primeiro momento, Davi põe para fora a sua dor, mostra seu lado humano, não esconde isso de Deus. Num segundo momento, numa transição suave, ele engrandece os atributos de Deus e se sente acolhido por essa Pessoa que pode conservá-lo (com vida em muitos casos).
Num terceiro momento do Salmo, Davi volta os olhos para a sua situação problemática, mas declara resolutamente saber que Deus está no controle e que vai confiar nele venha o que vier.
Mas em Jesus - é aqui que gostaria de chegar - nos dá dois exemplos claríssimos sobre a natureza da oração. No evangelho de Lucas, capítulo 9, versículos 28-31, Cristo se retira para orar. Nesse contexto vemos a imagem de um Cristo que havia sido reconhecido como filho de Deus pelos seus discípulos (Lc 9:20) e que havia os enviado para uma missão de cura e evangelização bem sucedida, que havia sacudido tanto a sociedade que até os Reis da Judéia ouviram falar nele e se esforçavam para vê-lo (Lc 9:7-9). Nessa oração de Lc 9: 28-31, "seu rosto se transfigurou e suas vestes resplandeceram de brancura". Ele havia sido visitado por Deus, consolado do sofrimento que viria a sofrer em Jerusalém.
Há, contudo, outra oração, no Getsêmani, onde Cristo sofre muito, a ponto de suar sangue (Lc 22:44).
A mesma pessoa, o mesmo Deus a ouvi-lo, e duas orações tão diferentes; numa o rosto de Cristo resplandece, na outra ele sua sangue. Tão visível como Deus na primeira, tão visível como homem na segunda. Mas ambas as orações feitas por aquele que nos ensinou como devem ser feitas.
Não vamos apagar esses detalhes reveladores das escrituras. Nem sejamos como os discípulos, que na ocasião da transfiguração, com sono, se mantiveram acordados com esforço para ver a linda cena de Cristo com Moisés e Elias (Lc 9:32); mas que ao verem que seu mestre sofria, e tendo sido avisados de tudo o que aconteceria, dormiram e deixaram Deus falando sozinho em sua oração (Lc 22:45-46).
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Tiros em Columbine, versão brasileira Realengo.
Hoje, parece que mais um dos sintomas da nossa cultura, filha dos EUA, se mostrou sem máscara.
Atentados em escolas não costumam figurar nos nossos jornais.
Outra coisa que não costuma figurar nos nossos jornais é a crítica de uma sociedade que proporciona esse tipo de comportamento através de um descrédito total no que chamamos de 'amor', 'piedade' ou 'misericórdia'. Para eles são temas religiosos, não inspiram as pessoas ao que realmente 'vale a pena'. "Não", nos dizem sem palavras os tablóides, "esse não é o tipo de postura que contribua para uma sociedade de consumo, baseada em meritocracia e competição". Essa imprensa hipócrita, que faz coro com o Mercado, nos mostra todos os dias cenas terríveis de assassinatos, roubos, corrupção, mas não mostra as verdadeiras causas dessas infelicidades.
Sim, porque se mostrasse estaria depondo contra si mesma, contra suas novelas, programas de auditório, e reality shows onde toda a sacanagem e barbaridade pode ser feita aos olhos de crianças e adolescentes em formação, lhes ensinando - com extrema eficiência que os meios de comunicação possuem - que não existe moral, ética ou qualquer princípio a se seguir na vida, a não ser ter o máximo de dinheiro possível, custe o que custar.
Nossa televisão 'bomba' as notícias de desgraça, mas paradoxalmente, não nos mostra suas causas. Põe a culpa no governo, seu 'inimigo', onde tudo desencadeia, mas contra o Mercado, nada fala. Contra a especulação das mentes da juventude, nada diz. Tenta injetar na audiência a ideia de que tudo está perdido, e já que nada pode ser feito (porque o governo não faz nada), devemos nos acomodar e procurar por prazer imediato (já que podemos estar mortos a qualquer momento).
Mas, vocês hão de concordar, é esse o mesmo raciocínio que impõe aos jovens pobres a necessidade de se envolverem na criminalidade! Se a razão última da vida é o possuir coisas ditas 'boas' - e nós muitas vezes parecemos concordar com isso quando julgamos bem sucedido alguém que possui dinheiro e bens, e não pessoas de caráter - o que resta a um jovem pobre sem perspectiva de 'crescer na vida'? Os marginais também estão dispostos a fazer tudo - como os BBB´s- por dinheiro e reconhecimento, nem que esse reconhecimento seja através do medo que causam à população.
Pois bem; essa televisão (e porque não a internet) que glamouriza o consumo nas propagandas brilhantes, consegue esconder totalmente a relação dessa glamurização e os crimes que temos visto todos os dias nos seus telejornais. Como são bons nisso!
Que Deus tenha misericórdia das famílias das crianças mortas.
Abraço.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Um padre à favor do laicismo : tirem as Cruzes dos Tribunais!
Olá amigos.
Recebi essa mensagem no e-mail. Não verifiquei autenticidade, mas gostei do texto.
Abraços
--------------Sou Padre católico e concordo plenamente com o Ministério Público de São Paulo, por querer retirar os símbolos religiosos das repartições públicas..
Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião.
A Cruz deve ser retirada !
Nunca gostei de ver a Cruz em tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são vendidas e compradas.
Não quero ver a Cruz nas Câmaras Legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte.
Não quero ver a Cruz em delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados.
Não quero ver a Cruz em prontos-socorros e hospitais, onde pessoas (pobres) morrem sem atendimento.
É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa da desgraça dos pequenos e pobres.
Frade Demetrius dos Santos Silva - São Paulo/SP
Recebi essa mensagem no e-mail. Não verifiquei autenticidade, mas gostei do texto.
Abraços
--------------Sou Padre católico e concordo plenamente com o Ministério Público de São Paulo, por querer retirar os símbolos religiosos das repartições públicas..
Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião.
A Cruz deve ser retirada !
Nunca gostei de ver a Cruz em tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são vendidas e compradas.
Não quero ver a Cruz nas Câmaras Legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte.
Não quero ver a Cruz em delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados.
Não quero ver a Cruz em prontos-socorros e hospitais, onde pessoas (pobres) morrem sem atendimento.
É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa da desgraça dos pequenos e pobres.
Frade Demetrius dos Santos Silva - São Paulo/SP
sábado, 2 de abril de 2011
iNato: Haikai tecnológico
Menin@ Informátic@
Tudo iPod
Ao pai tudo iPad
Já nasceu dizendo:
"Google dadá"
Tudo iPod
Ao pai tudo iPad
Já nasceu dizendo:
"Google dadá"
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Humanos : burrice do acaso ou centelha da eternidade?
Postando matéria que escrevi em janeiro de 2009, naquela época não tinha leitores. Queria ver comentário de vocês sobre esse assunto.
Abraços,
Gabz
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Ou o ser humano é a prefeita criação da mente de Deus, ou uma grande burrice que o acaso originou...
Se fosse verdade o que alguns cientistas dizem, que somos fruto da evolução de uma espécie, pq que somos tão imperfeito em coisas básicas que deveriam ter sido eliminadas com a seleção natural? enfrentamos a morte como espécie desde o primeiro exemplar, mas até hj desejamos a imortalidade e nos ressentimos com a morte.
Vivemos uma vida cheia de esperanças de realização e nos sentimos frustados quando as grandes tendências ao fracasso e erro se concretizam. Se somos fruto do acaso somos uma 'burrice casual' tremenda, visto que desejamos coisas que nunca nenhuma de nossos antepassados desfrutou, como o pleno sucesso da existência e a vitória contra o arbritário destino final de todos nós.
Agora, se somos criações de Deus projetadas para realizar e viver, é certo que sintamos tal tristeza pelas frustrações de nossos sonhos e de nossa vida em si. Somos maravilhosas criações de Deus que mesmo no meio de tanta confusão existencial desejam as perfeições que residem no própio Criador, e que num relacionamento gratificante com ele sâo satisfeitas.
Alguns importantes 'profetas' da filosofia dos últimos dois séculos julgavam que o próximo passo da humanidade era o descarte do conceito de 'deus' e sua substituição pelo ser humano ideal, que poderia guiar outros à satisfação da existência plena. Mas não é o que estamos vivendo. A procura da humanidade por Deus tem aumentado, não apenas dentro das igrejas, mas também em laboratórios de pesquisa. Será que nos últimos procuram descrê-lo, ou desesperadamente encontrá-lo?
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