Notívago
À noite vago
pelos entroncamentos do meu sonho.
Sono profundo,
Profundamente desperto
caminho pelas alamedas do desejo,
pelas ruas da paixão, pelos becos do medo.
Vez em quando
encontro a mim mesmo e me supreendo.
"Quem te permitiu viver teus anseios,
Sentir o gozo,
Enfrentar teus medos?"
Eu fujo. Ele replica:
"Volta, vã é a corrida,
se fugires te encontro no raiar do dia!"
Noite! Cobre-me com mais sonho
Com meus delírios e devaneios negros
Esconde-me desse vulgo 'eu mesmo'
Que por se parecer comigo é tão medonho!
À noite vago
À noite vivo
Sou notívago
Sou notivivo
Gabriel Moreira
Bem vindo ao "Pensar não é pecado": o juntar de uma miscelânea de coisas que me interessam pessoalmente; textos sobre arte, música, poesia, fé na humanidade e teologia cristã, entre outros temas. A proposta desse blog é ser um espaço para livre exposição de ideias, de produção artística e de compartilhamento, além de manter contato com amigos próximos e mais distantes. Um abraço a todos, e sejam bem vindos!
quinta-feira, 31 de março de 2011
quarta-feira, 30 de março de 2011
Poema pós-moderno
Não há rumo! Sem prumo
Anda a linha da vida
perdida no fumo
De batalhas não-travadas
De lutas mal lutadas
De lutos não sofridos
De um tempo não vivido.
Quebrou-se o credo
Que a anos sigo, persigo
prego.
Quebrou!
Sob a verdade nunca dita
Pela mentira não admitida
Sob o orgulho tolo, de poucos
Pelos aforismos de loucos.
Ah! Mas minto se digo que saudade tenho
De girar o engenho, esse, que move o mundo.
O que é o mundo afinal,
Quando foi alguma coisa?
Apresente-me esse, esse mundo que de mim se ressente
Por tê-lo abandonando às costas
De fiéis menos displicentes.
Liberdade, prisão
Insegurança, consolação
Enfim, a paz de não-ser!
De não se procurar no cosmo
(Pois não há lugar em que eu deva estar)
Eia, pouco importa se digo a verdade ou minto
Vivo, e nada sou e nada sinto!
Gabriel Moreira
Anda a linha da vida
perdida no fumo
De batalhas não-travadas
De lutas mal lutadas
De lutos não sofridos
De um tempo não vivido.
Quebrou-se o credo
Que a anos sigo, persigo
prego.
Quebrou!
Sob a verdade nunca dita
Pela mentira não admitida
Sob o orgulho tolo, de poucos
Pelos aforismos de loucos.
Ah! Mas minto se digo que saudade tenho
De girar o engenho, esse, que move o mundo.
O que é o mundo afinal,
Quando foi alguma coisa?
Apresente-me esse, esse mundo que de mim se ressente
Por tê-lo abandonando às costas
De fiéis menos displicentes.
Liberdade, prisão
Insegurança, consolação
Enfim, a paz de não-ser!
De não se procurar no cosmo
(Pois não há lugar em que eu deva estar)
Eia, pouco importa se digo a verdade ou minto
Vivo, e nada sou e nada sinto!
Gabriel Moreira
segunda-feira, 28 de março de 2011
A internet é Má-ravilhosa
A internet é maravilhosa. Já me disseram que em outros tempos fazer o que fiz - me mudar para estudar em outro estado - condenava as pessoas ao ostracismo com relação às amizades e família que deixavam no estado de origem. Ligações de telefone (caríssimas), de orelhão - para quem não tinha o luxo anterior -, cartas e telegramas eram os elos que ligavam essas histórias durante o tempo da separação.
Hoje em dia estou a apenas alguns cliques dos corações dos meus familiares e amigos - e dependendo da operadora de celular, apenas a 25 centavos (risos). Posso compartilhar com eles detalhes de meu dia, a ponto de que me parece, às vezes, que estou mais próximo dos seus sentimentos e dos seus anseios cotidianos do que estive por alguns dias, enquanto fisicamente presente.
Entretanto, já tive essa reflexão anteriormente, quando estava em casa; o tanto que a internet pode nos aproximar dos distantes, pode nos afastar dos próximos. É o seu potencial de subverter tempo e espaço. Algumas vezes a vida é tão mediada pela tecnologia - principalmente pela informática - que nos deixa incrivelmente acomodados com uma superficialidade de relacionamento vergonhosa, onde o esconder do rosto por trás do computador permite que postemos fotos sorridentes nos nossos perfis, mesmo quando estamos passando por uma barra pesada.
Sim, a internet é maravilhosa. De fato, estar sozinho, por aqui, seria bem mais árduo se não fosse a presença, ainda que virtual, de minha familia e de vocês, meus amigos, nesses nossos diálogos cotidianos, pelo Facebook, blogs e similares. Mas esse é o lado bom da internet. Não esqueçamos que o adjetivo 'maravilhoso' é amoral, ou seja, pode ser usado pra descrever coisas boas ou ruins. É uma potência para ser incrível: incrivelmente bom ou incrivelmente mal.
Hoje em dia estou a apenas alguns cliques dos corações dos meus familiares e amigos - e dependendo da operadora de celular, apenas a 25 centavos (risos). Posso compartilhar com eles detalhes de meu dia, a ponto de que me parece, às vezes, que estou mais próximo dos seus sentimentos e dos seus anseios cotidianos do que estive por alguns dias, enquanto fisicamente presente.
Entretanto, já tive essa reflexão anteriormente, quando estava em casa; o tanto que a internet pode nos aproximar dos distantes, pode nos afastar dos próximos. É o seu potencial de subverter tempo e espaço. Algumas vezes a vida é tão mediada pela tecnologia - principalmente pela informática - que nos deixa incrivelmente acomodados com uma superficialidade de relacionamento vergonhosa, onde o esconder do rosto por trás do computador permite que postemos fotos sorridentes nos nossos perfis, mesmo quando estamos passando por uma barra pesada.
Sim, a internet é maravilhosa. De fato, estar sozinho, por aqui, seria bem mais árduo se não fosse a presença, ainda que virtual, de minha familia e de vocês, meus amigos, nesses nossos diálogos cotidianos, pelo Facebook, blogs e similares. Mas esse é o lado bom da internet. Não esqueçamos que o adjetivo 'maravilhoso' é amoral, ou seja, pode ser usado pra descrever coisas boas ou ruins. É uma potência para ser incrível: incrivelmente bom ou incrivelmente mal.
sábado, 26 de março de 2011
Poesia ao Trans(i)to de São Paulo
Os fluídos corporais que em mim se encerram,
Não nasceram em mim.
Foram postos lá pelos canos de descarga dos automóveis, ônibus,
que no fim auto-móveis não são,
pois lá dentro há alguém, humano, como eu;
Que acelera, freia, xinga, se exaspera,
fruto do fluído que em seu corpo se encerra...
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domingo, 20 de março de 2011
Crítica do filme "Sexo Sem Compromisso" e alguns comentários
Bom, hoje vou fazer uma coisa não usual; fazer uma crítica de um filme que vi e que não recomendo que assistam, para que não pensem coisa de mim, no fim das contas (risos).
Brincadeiras a parte, falarei do filme No Strings Attached (Sexo sem Compromisso, em português), a única comédia romântica que estava em cartaz no cinema que fui e um filme que eu estava curioso para assistir. Curioso, porque havia lido comentários sobre ele no canal MSN; se tratava de um filme que ia subverter o formato clássico das comédias românticas: um casal (Ashton Kutcher e Natalie Portman) que começa nos ‘finalmentes’ e que apenas ao fim do filme começariam a sentir algo a mais um pelo outro.
Achei interessante a ideia do diretor, porque o roteiro poria em discussão um dos aspectos característicos dos relacionamentos ‘afetivos’ da atualidade: a casualidade, a fuga do compromisso e a dificuldade das pessoas contemporâneas de lidarem com o dilema do ouriço, o aproximar-se sem se ferir mutuamente. Além de quê iria separar em boas caixinhas o sexo do amor, ao fim deixando claro que o ‘mais importante é o amor’ (parafraseando um ótimo livro).
É interessante, contudo, que durante todo o filme a impressão que se tem é que se trata de uma comédia romântica comum; o fato de o diretor ter posto o ‘rala-e-rola’ no início do filme parece apenas uma mudança superficial e sintagmática, mantendo a mesma estrutura: enquanto não há amor - e amor correspondido - não há o fechamento da trama. O filme nos conduz nessa direção, como em todas as comédias românticas.
Mas há uma diferença importante; pelo fato de haver a relação física (que de certa forma denota intimidade) e a amizade entre o casal protagonista, a tensão de que haja uma conclusão satisfatória é bastante forte. Há o jogo de ciúmes entre o melhor amigo da moça e o protagonista, pois aquele tem algo que esse não tem, apesar de ter sexo com ela: a amizade, a atenção e o carinho. Essas tensões tornam o filme meio desesperador em alguns momentos.
Agora, umas palavras minhas sobre o tema do filme, a distinção entre sexo e amor. Particularmente, penso que sexo sem amor (Vênus sem Eros e Eros sem Ágape, como diria C.S Lewis) é função biológica, e não compensa totalmente o esforço e a dedicação dos participantes. Acho que muita gente endeusa o Sexo (com ‘S’ maiúsculo, para personificar) e, fora a grande quantidade de propaganda em cima do assunto, não encontro motivo bíblico ou filosófico para tal atitude. Vejo o assunto com pragmatismo: não acho que o sexo consagra um casamento – com certeza há casamentos sólidos com pouquíssima frequência sexual -, não acho que una duas almas, mas sim, dois corpos; não é o equivalente ao amor, e sim, ao desejo (há muitas formas de se fazer sexo que não se assemelham à qualidade de amor que apreciamos).
Agora, penso sim, que a experiência sexual dentro de um relacionamento de amor verdadeiro e maduro (mais que não caia de ma’duro’ :P) é sublime e especial, pois é uma metáfora física do que acontece na alma (quem sabe no espírito?). A união dos corpos que se amam é sem dúvida a experiência máxima de plenitude individual que se possa experimentar na Terra. Mas sem o amor verdadeiro e sofredor, o sexo é distração e entretenimento - não que seja ruim por isso, mas saber que há pessoas que só o experimentam nesse nível é saber que há pessoas que vivem com menos do que poderiam ter! E parece que é isso que leva a tensão ao filme, a audiência querendo observar essa completude, essa experiência relacional completa, que até então os protagonistas não tinha experimentado: o andar de mãos dadas, o café-da-manhã e o abraço longo.
P.s: Todas minhas opiniões sobre sexo são fruto de minha elucubrações noturnas...rá!
P.s.2: peloamordi, se você não sabe o que são ‘elucubrações’ vá ler o dicionário antes de pensar bobagem de mim!
domingo, 13 de março de 2011
Como 'escolher' uma igreja?
Meus caros amigos e amigas, apresento-lhes mais um post explicitamente cristão. Sim, porque o tipo de problema que irei abordar hoje é exclusivamente daqueles que se prestam a andar no caminho de Cristo via igreja com 'i' minúsculo. Há aqueles que dizem seguir a Cristo sem a necessidade de uma igreja - mas eu estou entre os mais fracos, aqueles que admitem como é saudável ter uma família cristã para fortalecer e manter a fé em Deus, em tempos de secularismo tão acirrado.
Nesse pequeno 'briefing' do texto, já expus duas coisas que acho importante na escolha de uma igreja, que por sua vez expoem o que eu penso que deva ser igreja: 1) uma família, 2) família que se distancie do padrão secular de 'vida' e de 'essência' que é propagado diariamente por nossa TV, nosso PC, ou mesmo nossos familiares e amigos mais descuidados.
Ver a igreja como família é fundamental para que se fomente o amor genuíno de Deus, que é um Pai, e não um patrão. Acredito que se não houver relacionamentos sinceros entre os participantes de uma comunidade cristã, todo seu propósito - esclarecer a paternidade de Deus em nossas vidas e a nossa própria irmandade, como Seus filhos - fica desacreditado.
No segundo ponto, A igreja precisa se opor abertamente contra o secularismo de 'fora' e o de 'dentro'. O secularismo de 'fora' é o modo de ser/viver que move as engrenagens do nosso sistema consumista e segregador, que gera a exclusão social e impede a reflexão das pessoas a respeito da sua responsabilidade com o próximo e com Deus (afinal, quem tem tempo para parar para pensar?). Quando os membros de uma igreja colocam os objetivos particulares em franca oposição aos do Reino de Deus, ainda podemos ter companheiros dentro da igreja, mas não irmãos.
O secularismo 'de dentro' é tão danoso quanto o 'de fora', mas é ainda mais subversivo por parecer integrar nossa fé, como algo que sempre esteve lá (mas se você ler a Bíblia, verá que nunca esteve). Uma igreja que se deixa tomar pela burocracia, pelas relações de compadrio e de preferência está minada e nasce com o prazo de validade decretado. É trazer os valores de fora da igreja para dentro dela, numa 'perfeita simbiose'.O secularismo 'de dentro' dá valor exacerbado a tradição, o que dificulta a renovação da mente que nos torna filhos de Deus ativos no nosso contexto cultural e social. Também há uma terceira espécie do secularismo dentro da igreja, que tem sido um vírus na igreja evangélica brasileira, o secularismo 'de fora' 'pra dentro', onde se trazem não apenas os mesmos princípios do secularismo 'de fora' (a exclusão dos 'desinteressantes', a lei da oferta e da procura, etc) mas como os mesmos métodos e ações: marketing, abuso de poder , com a finalidade de enriquecer aqueles que alegam ser tudo em nome de Deus.
Uma igreja que é família e não se acomoda aos princípios 'deste século' mas aos de Deus (como diria Paulo), é, para mim, uma igreja que eu frequentaria. Pode ser pequena, ou grande, com uma orquestra ou apenas um instrumentista, com um doutor em divindade ou um pregador leigo; o que me interessa é sentir a presença de Deus através da realidade de pessoas sinceras que desejam ser luz sabendo que em si, não são.
Glória a Deus
Nesse pequeno 'briefing' do texto, já expus duas coisas que acho importante na escolha de uma igreja, que por sua vez expoem o que eu penso que deva ser igreja: 1) uma família, 2) família que se distancie do padrão secular de 'vida' e de 'essência' que é propagado diariamente por nossa TV, nosso PC, ou mesmo nossos familiares e amigos mais descuidados.
Ver a igreja como família é fundamental para que se fomente o amor genuíno de Deus, que é um Pai, e não um patrão. Acredito que se não houver relacionamentos sinceros entre os participantes de uma comunidade cristã, todo seu propósito - esclarecer a paternidade de Deus em nossas vidas e a nossa própria irmandade, como Seus filhos - fica desacreditado.
No segundo ponto, A igreja precisa se opor abertamente contra o secularismo de 'fora' e o de 'dentro'. O secularismo de 'fora' é o modo de ser/viver que move as engrenagens do nosso sistema consumista e segregador, que gera a exclusão social e impede a reflexão das pessoas a respeito da sua responsabilidade com o próximo e com Deus (afinal, quem tem tempo para parar para pensar?). Quando os membros de uma igreja colocam os objetivos particulares em franca oposição aos do Reino de Deus, ainda podemos ter companheiros dentro da igreja, mas não irmãos.
O secularismo 'de dentro' é tão danoso quanto o 'de fora', mas é ainda mais subversivo por parecer integrar nossa fé, como algo que sempre esteve lá (mas se você ler a Bíblia, verá que nunca esteve). Uma igreja que se deixa tomar pela burocracia, pelas relações de compadrio e de preferência está minada e nasce com o prazo de validade decretado. É trazer os valores de fora da igreja para dentro dela, numa 'perfeita simbiose'.O secularismo 'de dentro' dá valor exacerbado a tradição, o que dificulta a renovação da mente que nos torna filhos de Deus ativos no nosso contexto cultural e social. Também há uma terceira espécie do secularismo dentro da igreja, que tem sido um vírus na igreja evangélica brasileira, o secularismo 'de fora' 'pra dentro', onde se trazem não apenas os mesmos princípios do secularismo 'de fora' (a exclusão dos 'desinteressantes', a lei da oferta e da procura, etc) mas como os mesmos métodos e ações: marketing, abuso de poder , com a finalidade de enriquecer aqueles que alegam ser tudo em nome de Deus.
Uma igreja que é família e não se acomoda aos princípios 'deste século' mas aos de Deus (como diria Paulo), é, para mim, uma igreja que eu frequentaria. Pode ser pequena, ou grande, com uma orquestra ou apenas um instrumentista, com um doutor em divindade ou um pregador leigo; o que me interessa é sentir a presença de Deus através da realidade de pessoas sinceras que desejam ser luz sabendo que em si, não são.
Glória a Deus
sábado, 12 de março de 2011
Algumas palavras bem minhas sobre o acampamento de carnaval
Olá amig@s,
Gostaria de compartilhar algumas palavras sobre o acampamento de carnaval que fizemos no Parque Estadual do Rio Vermelho. Algumas supérfluas outras mais profundas. Primeiro, às supérfluas :-).
Primeiro, foi um acampamento, e não, propriamente, um retiro. Sim, porque apesar de termos nos 'retirado' do meio comum do dia-a-dia, usamos barracas, então, tecnicamente, acampamos - ficamos no campo. Isso por si só deu um tom saudosista ao acampamento, lembrando um pouco outros fizemos a alguns anos atrás, num dos quais conheci a minha noiva. Ponto positivo :-)
Segundo, foi um acampamento para os 'da casa', mas ainda assim tivemos alguns de fora. Logo, teve o elemento 'novas amizades' o que compensou o fato de não ter podido ir ao Congresso da Juventude Batista de Florianópolis (por falta de grana e outras prioridades mais em vista, como minha mudança pra SP, por exemplo). Se pensarmos que cada um de nós consegue aprofundar uma conversa com 2 ou 3 por retiro, qualquer que seja o número de seus participantes, corrobora a ideia de que ter ido ao CONJUBAF ou ao acampamento da igreja local é equivalente nesse aspecto (é claro que não estou considerando o fato de que teria muita gente especial e única que poderia ter conhecido no CONJUBAF...mas acho que nenhuma delas pagaria minha inscrição, e talvez eu não tivesse tão afim assim de conhecer ninguém novo, isso não é pecado).
--
Tá, agora a coisa mais importante, o que foi dito e pensado por lá. A Missionária Nidia Caldas - a.k.a Bugra - falou sobre sua experiência de evangelismo entre os Hippies da Praça XV e no Projeto Siloé, onde presta auxílio aos internos do Hospital Nereu Ramos, muitos em estado terminal. Falou sobre o amor cristão - que imita ao de Cristo, no sofrimento, entrega, fé e paciência. Eu assumi o compromisso de procurar amar indistintamente ao meu próximo, e já na primeira semana (porque não dizer no primeiro dia de retiro?) tive a oportunidade de exercer isso e sentir a dificuldade presente nessa atitude, principalmente no meio da igreja e na familia. Na igreja, porque lidamos com diversos 'egos ou eus' particulares , com suas visões acerca das coisas do Alto (as vezes bem aqui de baixo mesmo) e na família pela nudez das relações, pela incapacidade de se usar máscaras na lida diária e pela vulnerabilidade que usualmente se sente nas relações mais próximas. Mas, dentro do que a Bugra disse, o amor deve se prestar a ir mais longe, a quem odiamos ou àqueles a quem o amor e compreensão são negados constantemente, os excluídos.
Deixem-me desenvolver um pouco o que penso sobre os excluídos. Identifico dois tipos de exclusão, acredito que de natureza muito diferente, a exclusão social e a exclusão espiritual. Apesar de freqüentemente a igreja incorrer na primeira espécie, as instituições religiosas são as únicas que podem exercer o segundo tipo, muito mais cruel. Enquanto na exclusão social nos afastamos da pessoa pela repulsão que temos pelo seu modo de vida ou por medo do que possa nos causar (afinal, acredito que todos nos sentimos um pouco culpados por 'permitir que alguém passe por aquelas privações), na exclusão espiritual afastamos a pessoa de nós por acreditarmos que sua conduta é danosa demais para nós ou para os nossos, que possa manchar nossa reputação religiosa ou ofender a Deus o fato de que aceitamos em nosso meio pessoas, como 'desvalorizando' a nós mesmos. Ela é mais cruel do que a exclusão social porque ataca o cerne da missão da igreja, incluir aqueles a que Deus quer trazer para si, a saber, os loucos do mundo. Diversas parábolas de Cristo falam exatamente sobre o amor de Deus àqueles que a sociedade rejeita. A única coisa que 'justifica' essa posição dentro da igreja é a falta de compreensão de quem Deus é de quem nós somos. De quem Deus é porque Ele é gracioso e longânimo, e o verdadeiro juiz. Falta de compreensão de quem nós somos, porque somos pecadores, falhos, e não temos condições de julgar a ninguém (no sentido de condenar, e não de ponderar acerca de algo). Nos achamos muito perfeitos para chamar aquela pessoa de algum de nós, da nossa família. É claro que ninguém admite isso, mas é dessa forma que agimos frequentemente. E é o tipo de coisa que tentamos fazer valer na vida dos outros, e não na nossa; caso contrário seríamos excluídos da comunhão todos nós, e envergonhados, nos sentiríamos como aqueles que excluímos.
---
Mas quero abreviar e dizer que as palavras do Charles Ramos, nosso outro preletor, também foram desafiadoras, sobre a unidade de mente e coração para o cumprimento do propósito do corpo de Cristo. Penso que não devemos forçar a unidade na direção de um lider ou de alguém influente, mas na direção do Espírito e com os olhos nas palavras de Jesus procurar a sua vontade específica para a nossa vida.
---
Estou em São Paulo adquirindo os ítens da minha nova casa e me preparando pro começo do doutorado. Desejo a todos os irmãos e irmãs da juventude, meus amigos de infância e agregados, as mais ricas bençãos de Deus, e principalmente, a perseverança.
Abração!
Gabz
Gostaria de compartilhar algumas palavras sobre o acampamento de carnaval que fizemos no Parque Estadual do Rio Vermelho. Algumas supérfluas outras mais profundas. Primeiro, às supérfluas :-).
Primeiro, foi um acampamento, e não, propriamente, um retiro. Sim, porque apesar de termos nos 'retirado' do meio comum do dia-a-dia, usamos barracas, então, tecnicamente, acampamos - ficamos no campo. Isso por si só deu um tom saudosista ao acampamento, lembrando um pouco outros fizemos a alguns anos atrás, num dos quais conheci a minha noiva. Ponto positivo :-)
Segundo, foi um acampamento para os 'da casa', mas ainda assim tivemos alguns de fora. Logo, teve o elemento 'novas amizades' o que compensou o fato de não ter podido ir ao Congresso da Juventude Batista de Florianópolis (por falta de grana e outras prioridades mais em vista, como minha mudança pra SP, por exemplo). Se pensarmos que cada um de nós consegue aprofundar uma conversa com 2 ou 3 por retiro, qualquer que seja o número de seus participantes, corrobora a ideia de que ter ido ao CONJUBAF ou ao acampamento da igreja local é equivalente nesse aspecto (é claro que não estou considerando o fato de que teria muita gente especial e única que poderia ter conhecido no CONJUBAF...mas acho que nenhuma delas pagaria minha inscrição, e talvez eu não tivesse tão afim assim de conhecer ninguém novo, isso não é pecado).
--
Tá, agora a coisa mais importante, o que foi dito e pensado por lá. A Missionária Nidia Caldas - a.k.a Bugra - falou sobre sua experiência de evangelismo entre os Hippies da Praça XV e no Projeto Siloé, onde presta auxílio aos internos do Hospital Nereu Ramos, muitos em estado terminal. Falou sobre o amor cristão - que imita ao de Cristo, no sofrimento, entrega, fé e paciência. Eu assumi o compromisso de procurar amar indistintamente ao meu próximo, e já na primeira semana (porque não dizer no primeiro dia de retiro?) tive a oportunidade de exercer isso e sentir a dificuldade presente nessa atitude, principalmente no meio da igreja e na familia. Na igreja, porque lidamos com diversos 'egos ou eus' particulares , com suas visões acerca das coisas do Alto (as vezes bem aqui de baixo mesmo) e na família pela nudez das relações, pela incapacidade de se usar máscaras na lida diária e pela vulnerabilidade que usualmente se sente nas relações mais próximas. Mas, dentro do que a Bugra disse, o amor deve se prestar a ir mais longe, a quem odiamos ou àqueles a quem o amor e compreensão são negados constantemente, os excluídos.
Deixem-me desenvolver um pouco o que penso sobre os excluídos. Identifico dois tipos de exclusão, acredito que de natureza muito diferente, a exclusão social e a exclusão espiritual. Apesar de freqüentemente a igreja incorrer na primeira espécie, as instituições religiosas são as únicas que podem exercer o segundo tipo, muito mais cruel. Enquanto na exclusão social nos afastamos da pessoa pela repulsão que temos pelo seu modo de vida ou por medo do que possa nos causar (afinal, acredito que todos nos sentimos um pouco culpados por 'permitir que alguém passe por aquelas privações), na exclusão espiritual afastamos a pessoa de nós por acreditarmos que sua conduta é danosa demais para nós ou para os nossos, que possa manchar nossa reputação religiosa ou ofender a Deus o fato de que aceitamos em nosso meio pessoas, como 'desvalorizando' a nós mesmos. Ela é mais cruel do que a exclusão social porque ataca o cerne da missão da igreja, incluir aqueles a que Deus quer trazer para si, a saber, os loucos do mundo. Diversas parábolas de Cristo falam exatamente sobre o amor de Deus àqueles que a sociedade rejeita. A única coisa que 'justifica' essa posição dentro da igreja é a falta de compreensão de quem Deus é de quem nós somos. De quem Deus é porque Ele é gracioso e longânimo, e o verdadeiro juiz. Falta de compreensão de quem nós somos, porque somos pecadores, falhos, e não temos condições de julgar a ninguém (no sentido de condenar, e não de ponderar acerca de algo). Nos achamos muito perfeitos para chamar aquela pessoa de algum de nós, da nossa família. É claro que ninguém admite isso, mas é dessa forma que agimos frequentemente. E é o tipo de coisa que tentamos fazer valer na vida dos outros, e não na nossa; caso contrário seríamos excluídos da comunhão todos nós, e envergonhados, nos sentiríamos como aqueles que excluímos.
---
Mas quero abreviar e dizer que as palavras do Charles Ramos, nosso outro preletor, também foram desafiadoras, sobre a unidade de mente e coração para o cumprimento do propósito do corpo de Cristo. Penso que não devemos forçar a unidade na direção de um lider ou de alguém influente, mas na direção do Espírito e com os olhos nas palavras de Jesus procurar a sua vontade específica para a nossa vida.
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Estou em São Paulo adquirindo os ítens da minha nova casa e me preparando pro começo do doutorado. Desejo a todos os irmãos e irmãs da juventude, meus amigos de infância e agregados, as mais ricas bençãos de Deus, e principalmente, a perseverança.
Abração!
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Sinta-se livre pra desenvolver os assuntos aqui. Os próximos textos vão levar em consideração os comentários lidos!
Vamos tentar rir juntos, também.
Sempre é possível.
Gabriel
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