Exercito de Salvação

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Prosinha - se eu fosse pró-reitor

Se eu fosse pró-reitor
Eu seria pro-ativo
Processaria servidor
Que com públicos ativos
Viaja durante greve
Ainda que a estadia seja breve.

Se eu fosse pró-reitor,
Ia ter muitos amigos,
Não desses do corredor,
Mas das casas das pessoas,
Algumas que vivem de bolsas,
De todas que que pagam impostos,
Pra que eu seja servidor.

Se eu fosse pró-reitor,
Pelo tempo que fosse,
Buscaria certamente
O que fosse de boa-mente,
Tercerizado estaria no conselho,
Pra lembrar que o pobre mesmo
Sempre, sempre é esquecido
E fica vagando a esmo.

(Mas eu não quero, mesmo, sou só professor...)
[Encontre a relação numérica do poema]

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Mais sobre pragmatismo - docência I


A preocupação com a sobrevivência na contemporaneidade é tão grande que os poucos momentos dedicados especialmente à reflexão são interpretados, muitas vezes, como perda de tempo em que 'algo útil' poderia estar sendo feito. Isso torna em vezes a prática docente - a de instigar a promoção da curiosidade do 'senso comum' a um estágio crítico (curiosidade epistemológica diria Freire) - um trabalho altamente complexo. Entretanto, a atividade docente também promove a sobrevivência (uma profissão), na qual o ato de refletir é completamente útil. Parece que não temos conseguido comunicar isso aos nossos estudantes: enquanto causamos estranhamento ferramental para gerar liberdade de pensamento também estamos ensinando uma profissão. Uma boa profissão, diga-se de passagem. O estudante quando rejeita o convite a um outro olhar está rejeitando, no mínimo, duas coisas: 1) a aprendizagem do conteúdo proposto ( e se crê quem não tem nada a aprender realmente está perdendo tempo - não na sala de aula, mas no planeta terra) ; 2) o metiê de uma profissão.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Nota de Esclarecimento à comunidade da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)


Nota de esclarecimento à comunidade da Universidade Federal da Integração Latino Americana (UNILA).

Queremos UNÍ-LA

No mês de julho de 2015, diante das consequências negativas à UNILA trazidas por uma institucionalização apenas parcial e caótica, um grupo significativo de professores se manifestou diante do Ministério Público Federal apontando a ilegalidade do art. 4o do Regimento da instituição. O motivador comum deste grupo é a proteção do projeto universitário da UNILA, através do restabelecimento de condições que permitam o seu desenvolvimento como expresso nos seus documentos fundamentais. Com esta nota, queremos informar toda a comunidade a respeito das motivações e significado deste processo, assim como reafirmar nosso compromisso, não apenas com a sociedade brasileira, quem nos dá esta oportunidade, mas a de toda América Latina e Caribe para qual estamos a serviço.

1. O Projeto UNILA

Os professores que assinaram a referida manifestação têm sido reiteradamente criticados como sendo “contrários ao Projeto UNILA”. Na realidade, o nosso compromisso maior é com o verdadeiro Projeto UNILA, conforme os documentos que estabeleceram sua missão, objetivos e organização acadêmica e administrativa, especialmente o livro “UNILA em Construção”, a Lei No 12.189/2010 e seu Estatuto, sua regra maior. Não há, nem poderia existir, um projeto de universidade no qual a sua organização e funcionamento estejam fora do ordenamento constitucional e legal do País. Não existe, no Projeto UNILA, a possibilidade de deturpar, distorcer e manipular o enquadramento institucional, legal e regulamentar das instituições federais de ensino superior.

Naqueles documentos embasadores fica claro que a missão da UNILA é contribuir para a integração solidária e a construção de sociedades mais justas na América Latina e no Caribe, por meio da geração, transmissão, difusão e aplicação de conhecimentos produzidos pela indissociabilidade de ensino, pesquisa e extensão e com a formação de cidadãos que, além de competentes nos diferentes campos do conhecimento, estejam comprometidos com a busca de soluções acadêmicas, científicas e tecnológicas para os problemas da América Latina e Caribe. Essa missão, fundamental do Projeto UNILA, é que está sendo efetivamente prejudicada.

A polarização da comunidade acadêmica em torno do falso debate sobre divisão de cadeiras nos órgãos deliberativos causa diversos prejuízos à instituição, a começar pela total insegurança jurídica e pelo caos institucional, apesar dos seus cinco anos de existência. Fatos recentes demonstram que é esta atual situação de insegurança jurídica, e não a sua denúncia, que vem impedindo a concretização do verdadeiro Projeto UNILA. O que ameaça a instituição de descredenciamento como Universidade junto ao MEC não é a demanda pela regularização de seus conselhos e sim o fato de ela estar à margem da legislação. Citamos abaixo alguns exemplos recentes de como a UNILA está se perdendo na concretização de seu Projeto.

• Impedimento da institucionalização do ILACVN: O ILACVN foi o primeiro instituto da universidade a tomar a iniciativa de implantar as suas instâncias administrativas e acadêmicas previstas no Estatuto, cumprindo uma etapa fundamental para a completa institucionalização dos institutos. Seu processo eleitoral foi baseado na legislação brasileira e em parecer da Procuradoria para estabelecer a composição dos órgãos colegiados. No CONSUN, este processo recebeu um minucioso parecer da relatoria, que apresentou voto favorável. Apesar disto, teve voto contrário da maioria dos conselheiros, após debate com pronunciamentos difamatórios e coercitivos, portanto antidemocráticos. Isto demonstra que esta instância, que tanto debate a autonomia, fique marcada pela inconsistência e deixe transparecer seu viés, ao rechaçar a autonomia de um instituto. • Dificuldade para apreciação de propostas de cursos de pós-graduação: Os cursos de mestrado e doutorado são essenciais para o cumprimento da missão da UNILA e para a manutenção da sua denominação como “universidade”. Isto requer que ela tenha pelo menos quatro programas de pós-graduação stricto sensu. Na 21ª reunião ordinária do CONSUN estavam em pauta três propostas de cursos de pós-graduação para apreciação. Apesar da importância do tema, a reunião foi esvaziada após a votação de um ponto de pauta referente a demanda de uma das categorias da instituição. O prejuízo foi minimizado pela aprovação ad referendum pelo Reitor, mas o ato demonstra que demandas de categorias estão sendo colocadas acima dos objetivos finais da instituição e, consequentemente, acima das carências de formação profissional da América Latina e Caribe, acima do verdadeiro Projeto UNILA. • CONSUN sem regimento interno: quase dois anos após a sua implantação, o CONSUN ainda não tem um instrumento que regulamente o seu funcionamento. O resultado são reuniões tumultuadas, processos importantes que não progridem, criação de falsas polêmicas e desrespeito às opiniões divergentes. A consequência é um CONSUN ineficiente e que não contribui para o progresso e para a evolução do real Projeto UNILA.

2. A Autonomia Universitária

Entendemos que a autonomia universitária tem como parâmetro o ordenamento jurídico nacional. Esta autonomia no campo pedagógico, administrativo e de gestão financeira, está colocada em um cenário maior, o do Estado brasileiro. Não implica em liberdade total de auto-regulação, pois está limitada pelo ordenamento geral em que se insere, dentro da esfera de competência atribuída pelo Estado, sem o qual, ou fora do qual, não existiria. A autonomia universitária não permite, por exemplo, que a UNILA não observe a necessidade de realizar licitações e de concursos públicos para efetuar contratações. O fulcro da nossa denúncia, a constituição dos conselhos da UNILA, é regulamentada pela Lei No 9.394/1996, a qual foi proposta por um governo democraticamente eleito e aprovada por um Congresso Nacional similarmente eleito. Não cabe a foros internos da UNILA desrespeitá-la sob quaisquer pretextos.
Este é um posicionamento legítimo e tentativas de depreciá-lo ou desqualificá-lo, apenas caracterizam a intolerância para com a divergência de opinião e constituem em uma tentativa de cercear a liberdade de consciência, a liberdade de pensamento e a liberdade de expressão, pilares de uma instituição que se pretenda democrática. Rediscutir esta regulamentação amplamente, propor avanços, são ações legítimas e necessárias, desrespeitá-la não o é.
Além disso, como servidores públicos federais, estamos comprometidos, pelo Estatuto do Servidor Público Civil Federal, a observar a lei em todos os nossos atos. É inadmissível sofrer coação por propor que a lei seja seguida.

3. Representação nos Conselhos

Insistir na discussão a respeito da representação tripartite de docentes, técnicos e estudantes nos órgãos colegiados, por ser flagrantemente ilegal, é contribuir para uma falsa polêmica que apenas prejudica a consolidação da UNILA.
O nosso posicionamento pela regularização do Regimento da instituição não representa, de forma alguma, que somos contrários à representação efetiva e eficaz dos estudantes e dos técnico-administrativos. Enquanto peticionamos essencialmente que a lei seja cumprida, queremos sim dialogar com estas categorias visando um sistema de governança da UNILA que assegure a defesa e concretização do seu real Projeto, na forma da Lei, como prevê nosso Estatuto. Isso passa pelo respeito aos propósitos da Universidade, às atribuições e peculiaridades de cada categoria, pela administração eficiente, menos burocrática e mais preocupada com as atividades fins do que com as atividades-meio.

Oportunamente, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e a Academia Brasileira de Ciências, em 18/08,  divulgaram manifesto “Em defesa das Universidades Públicas”1, no qual, em seu item 3, ao se referir à gestão responsável, explicita que “A gestão deve ser atribuída predominantemente e sem ambiguidade a quem é inevitavelmente apontado pela sociedade como responsável pelo sucesso ou fracasso da instituição: o seu quadro docente. Neste sentido, devem ser respeitados, no momento atual, os percentuais que regem, na legislação vigente, a composição dos órgãos colegiados e de eventuais consultas à comunidade universitária.”

4. Nossos objetivos

Não tendo encontrado espaço interno para um debate sério a este respeito, reportarnos ao Ministério Público Federal foi a saída encontrada para ajustar nosso Regimento Interno às condicionantes do Estado brasileiro. Tentativas de fazê-lo internamente são reiteradamente recebidas com acusações de “tentativa de golpe” ou de “desconstrução do Projeto UNILA”, uma retórica inflamatória e totalmente distorcida do que são os nossos objetivos e do que é o Projeto UNILA. Entendemos que este ajuste é imprescindível pois, além de trazer instabilidade jurídica, a atual situação tem levado a instituição a colocar as demandas de categorias acima de seus objetivos fins, impossibilitando a concretização do verdadeiro Projeto Unila.
Queremos construir uma universidade que contribua para o avanço da ciência e para disseminação do conhecimento, ao serviço da sociedade latino-americana e caribenha. Queremos uma UNILA comprometida com a formação de cidadãos e profissionais qualificados, aptos para encarar os desafios desta região, que não são poucos nem triviais. Isso não pode ser feito à margem do ordenamento jurídico e constitucional do Estado brasileiro.

O que efetivamente queremos para esta instituição é UNI-LA.

Foz do Iguaçu, 20 de agosto de 2015

1 http://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/1-em-defesa-dasuniversidades-publicas/

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Poema surreal I

O que eu poderia te dar?
Sorte em biscoitos.
Biscoitos de farinha de maíz.
Palavras farofentas.
Gostosas mas com cica.

Grudam na boca.
Na língua formam bolinhas.
Compram-se por pouco nos supermercados.
São de origem duvidosa (T).

Dejalo por hacer. No tienes pres(s)a.
Como los perros. Ellos no comen harina.
Los perros son los mejores amigos.
Y solamente por eso as veces comparten mi harina.

E latem. Em espanhês ou portunhol.
São latidos em latim.
Espalham a farinha de milho pelo ar.
Que era tudo que eu podia te dar.

GFM - 15/07

domingo, 5 de julho de 2015

A tese cristã

A tese cristã é simples de entender
O princípio vital é o Amor - um tipo específico de amor, em grego, Ágape (traduzido por caridade em alguns textos). O objetivo é viver o Ágape, colocando a necessidade dos outros acima da sua própria e se sentir satisfeito/feliz com isso reciprocamente. Isso traz qualidade de vida para todos, desenvolve igualdade, autonomia, justiça e acima de tudo alegria. Isso restauraria o mundo.

O conceito antitético é o 'Pecado' (literalmente - "Erro" em grego): ações que impedem uma vida de Amor/Ágape - geralmente atitudes egoístas na busca da satisfação do vazio deixado justamente pelas relações humanas 'quebradas'. Esses erros afastam os indivíduos e comunidades humanas em geral de desenvolverem relações saudáveis e satisfatórias em alegria.
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A natureza dual humana (animal/divina) nos projeta para uma situação ideal há muito esquecida: a existência de equilibrio nesse hibridismo conectado ao sentido de propósito e da procedência divina (para quê? de onde viemos?*). Em determinado momento da história civilizacional humana - e esse momento continua hoje - a disposição das pessoas (independente de etnia ou posição social) tendeu ao erro/pecado e todo o sistema de relações se desestruturou. Chamamos esse evento de "Queda".
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A importância de Cristo e o porque dessa fé ser chamada de 'Cristianismo' é porque ela descende da cultura Teonômica Hebraica - o judaísmo - que reconhecia, dentre todas as culturas da época e região a qualidade singular do ser humano -valor da vida - a Queda e a necessidade de recuperação da condição humana original. Mesmo aos "trancos e barrancos" da história judaica  (corrupção da mensagem e condutas inapropriadas acusadas pelos profetas) essa mensagem se manteve, e  ela não era para os judeus, era universal.

Como todo sistema religioso tende ao bairrismo e à 'relativização', os judeus nada fizeram para promover a mensagem de paz e reconciliação recebida. Em determinado momento ela não pode mais ser contida, quando dentro de Jerusalem um grande grupo de pessoas começou a anunciá-la seguindo por todo império romano: que um homem havia desafiado o poder religioso de sua época, dito ser enviado por Deus, pregado o Reino de Deus (restauração da relação com a Divindade) crucificado por Roma e vivido entre eles após a morte por cerca de 40 dias. A mensagem de reconciliação, que aponta a natureza divina da humanidade encontra o seu caminho à universalização.
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 Ser cristão é acreditar na utopia de um mundo perfeito, mas reconhecer que o que munda o mundo são as disposições do coração das pessoas mais do que das estruturas de poder. É não querer buscar o poder pelo poder, mas, onde se está, exercitar o Ágape. É um trabalho de formiguinha orientado por Deus em nós (Espírito Santo).


sábado, 27 de junho de 2015

Porque não colori meu perfil: Problemas éticos do uso indiscriminado da relativização como regulador moral e aspectos políticos

Gosto do romance "Admirável Mundo Novo" do Aldous Huxley.

No romance é apresentado um Estado altamente capilarizado, totalitário e fascista dominado pela tecnocracia e tecnologia. Por incrível que possa parecer para o leitor de hoje em dia, o livro escrito em 1932 (época de ascensão dos fascismos na Europa), narra uma tática de dominação cultural que não envolvia conceitos ditos conservadores como Igreja, Família e Nação - utilizados pelos fascistas dos anos 30. Na verdade, em "admirável mundo novo"  tanto família como religião foram transformados em tabu pelo Estado: em seu lugar foram instituídos, sistematicamente, o gozo livre dos prazeres sexuais e a adoração secular à Ford e Freud (Com o jargão de saudação 'Our Freud/Ford' substituindo 'Our Lord/God'). Quando algum dos personagens do livro se sente 'incomodado' com o amor, sentimentos familiares ou algo vinculado a algum dos 'tabus', consumia uma droga fornecida pela estado que o fazia retornar à situação natural (provavelmente uma referência ao LSD na época de sua descoberta).

Nós, ocidentais, vivemos em uma sociedade pós-industrial, em certa medida semelhante à da distopia. Praticamente todos os direitos civis que conquistamos em nossa história  são 'reparadores' dos danos sociais causados pela escravidão e pela migração às grandes cidades desde a segunda revolução industrial (falo dos ocidentais). A transformação da cultura em 'segunda natureza' como substituição ao vazio deixado pela cultura popular e regional de onde boa parte da população urbana foi retirada nos últimos 100 anos é feita por meio da busca da construção de lugares comuns, convergências, assentimentos mentais, induzidos - indubitavelmente - pelo interesse capital (Inglaterra,"USA", corporações e governos) os "mesmos" que, há duzentos anos atrás, traficavam escravos negros livremente pelo oceano atlântico e que hoje desapropriam agricultores e são lenientes com as condições análogas à escravidão presente nas fábricas aqui, na China e em todo mundo.

É importante observarmos que esses eventos em especial, a escravidão e o fetiche tecnológico, produzem, respectivamente, a destruição do valor intrínseco humano e da natureza. Entretanto é mais curioso ainda percebermos que foi justamente 'a relativização' de valores de toda uma sociedade que criou o espaço para o surgimento dessas teses. A famosa tese popular entre 'cristãos escravagistas' de que africanos não tinham alma é fruto de relativização - e do interesse do capital.

A destruição/desrespeito aos 'modos de viver' não aconteceu/acontece somente entre os indígenas catequizados de hoje ou ontem - seja catequese religiosa ou econômica, ou ambas. Os modos de viver de comunidades tradicionais - para as quais termos como Família e Sexo ainda fazem sentido - também são sistematicamente atacados ideologicamente e não são completamente obliterados porque os governos dos países democráticos fazem esforços para conseguir agradar a gregos e troianos.

É nessa hora que devemos nos posicionar contrários à qualquer tipo de violência e favoráveis à instrução geral da população. Teses infames como a "redução da maioridade penal" também interessam ao capital e é mais difícil traçar um perfil daqueles que são contrários ou à favor dessa tese. Mas não se percebe nenhum barulho das corporações a esse respeito (a mídia que não pode se calar pela natureza do seu ofício, se manifesta massivamente favorável)...

E voltamos ao perigo da relativização como regulador moral da sociedade. Existe um documento chamado ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente. Podemos dizer que alguns setores políticos estão buscando 'relativizar' a compreensão que o Estatuto traz sobre a "Criança" e o "Adolescente". Existe um problema objetivo: crianças e adolescentes estão cometendo crimes contra à vida. Mas existe duas forças competindo: um certo "conservadorismo" que defende que o ECA deve ser respeitado e quem tem que ceder é o Capital (e seus representantes no Estado) e viabilizar a educação e concretização da 'infância' e outros, "progressistas", que julgam que a lei 'não serve para a realidade atual', propõe a relativização jurídica das leis sobre a penalização de menores.

É claro que esse tipo de discussão desgasta o Estado.

Mas voltemos para o romance de que falei no início para uma síntese. Não há dúvida que o discurso da liberdade sexual é o maior receptor da Líbido Estrutural do "Ocidente Esclarecido" nos últimos 50 anos (parece que dos movimentos 68 restou apenas esse assunto e todo mundo parece engajado). Huxley em 1932 já havia percebido o potencial agregador do discurso de liberdade sexual - afinal quem é que não gostaria que certas coisas que nos parecem atraentes realmente fossem moralmente aceitas e assim poder equalizar 'ego' e 'id' com o 'superego' de maneira cabal? Quando o Estado se vincula à questão sexual - seja na proibição de certas atividades sexuais quanto na afirmação de outras - participa de uma discussão de foro íntimo para a qual nem sempre é convidado e nela exerce poder. Gosto de pensar no que Foucault afirma com relação à natureza do poder: ele nem sempre é proibitivo ou repressivo, mas também positivo e 'normativo' - fomentando condutas e moldando comportamentos.

Nesse sentido, o estado deve permitir(ou melhor, não impedir) que indivíduos possam gozar de uma situação legal de 'casados' e constituir uma 'família'. Acho que fazem sua obrigação.

Entretanto, o pensamento que demonstra relação direta entre as pessoas comuns (não falo do Malafaia) que não compartilharam dos valores de outras e ocorrência de violência moral ou física inviabiliza nossos melhores desejos de integração, porque, como já disse na rede social, a única possibilidade de integração é o respeito ao diferente - e isso em mão dupla. Associar a diferença à violência é criar um celeuma para nunca resolvido - ao gosto dos políticos democratas - ou à ser resolvido com incêndios em kulaks e campos de concentração.

Sendo mais coloquial, para terminar: quando alguém me diz que toda forma de 'amor vale a pena' e que isso, como 'amo tudo muito isso' deve pautar uma ou duas das minhas ações, penso: de que amor estamos falando?

O discurso da relativização sem problematização ética ou filosófica favorece o emburrecimento geral e a diminuição do poder de ação das pessoas simples, que buscam falar por si mesmas, como eu e você. Eu não posso concordar com isso.  E é por isso que não colori meu perfil.

Não colori meu perfil porque penso que os sentimentos facciosos são aqueles que geram todo tipo de violência, mais do que a admissão da diferença. São as inclinações humanas que nos fazem sentir 'bons' e outros 'maus'. Compartilhamos isso com o ISIS, que, inclusive, fez muitas vítimas ontem... um grupo radical gerado pelas incoerência do potentado que ontem aprovou o casamento gay.

Também não o colori por prezar por relacionamentos. E por achar, que assim como na redução da maioridade penal, essa importante discussão está abarcando os temas errados e se direcionando na formação de mais facções do que para a unidade.

O verdadeiro amor, segundo Cristo, é aquele que é direcionado ao que é diferente. E isso se faz assumindo a diferença e convivendo com ela. "Que valor tem amar quem é igual à você? Até as piores pessoas da sociedade fazem isso".

Esse tipo de amor verdadeiro é o que vale a pena. E eu me exercito nesse amor ao conviver com pessoas completamente diferentes de mim, todos os dias, e buscar servi-las e ajudá-las em tudo que eu posso.  Gente contra o casamento gay, gente a favor; ateus, evangélicos intolerantes; a favor da maioridade penal, contra a maioridade penal. o caminho do meio, o caminho do amor. Nesse tempo que parece nos cobrar posição o tempo inteiro e pouca análise introspectiva eu quero desenvolver o verdadeiro amor.
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"Para Foucault, é uma concepção simplesmente jurídica que subjaz à análise do poder pela repressão, ou seja, estar-se-ia identificando o poder basicamente a uma lei que é sempre proibidora, preocupada continuamente em dizer não. Ele classifica essa noção puramente negativa do poder como “estreita” e “esquelética”, argumentando que, se assim fosse, se o poder não fizesse outra coisa a não ser dizer não, ele não seria obedecido. Ou seja, para esse filósofo, o que faz com que o poder seja aceito é justamente o fato de que ele não é apenas uma intolerável carga da qual não se possa escapar, mas, na verdade, ele atravessa toda a sociedade, produzindo coisas, induzindo ao prazer, formando saber, produzindo discursos."

A ANALÍTICA DO PODER EM MICHEL FOUCAULT. Maria de Lourdes Faria dos Santos Paniago.

Disponível em http://www.congressohistoriajatai.org/anais2008/doc%20(55).pdf


















domingo, 19 de abril de 2015

Discurso de Formatura (UNILA 2014)


Bom dia, leitores e leitoras.
Copio logo abaixo o discurso que li na formatura da segunda turma da UNILA, como diretor em exercício do ILAACH.
Um abraço.

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Primeiramente, gostaria de parabenizar os formandos e as formandas; esses que são o motivo de nos congregarmos aqui nessa noite jubilosa. Parabenizo também seus colegas, familiares, amigos e professores que são coresponsáveis pelo sucesso dessa caminhada no alvorecer de um novo tempo para o nosso continente e também um momento que inaugura, na vida de cada indivíduo que hoje cola grau,  uma nova fase onde tudo aquilo que aprenderam e ensinaram será posto a prova na distância da Universidade, dos Institutos, dos colegas e professores, e será amadurecido pela experiência junto aos contextos sobre os quais tanto falamos em sala de aula. Entretanto, quero usar a palavra conferida a mim nesta noite, para chamar a atenção de vocês que hoje colam grau, recebem um título, para aquilo que julgo estar entre as coisas mais importantes, que definirá a relevância da atuação de vocês nas sociedades: a sensibilidade.
                Sensibilidade é uma coisa que dificilmente se ensina senão pelo exemplo. Nós podemos chamar a atenção das pessoas para algo - como pretendo fazer nessa fala - mas não podemos garantir que estamos sensibilizando-as para aquilo. Peço licença, então, para ser extremamente redundante e prosseguir na minha humilde tentativa de sensibilizá-los para a sensibilidade.
                Etmologicamente, a palavra vem do latim, sensibilitas, e representa a nossa capacidade de sentir, de termos nossos sentidos aptos a receber estímulos/informações dos objetos sensíveis no mundo. O conceito também se aplica à nossa capacidade de sermos afetados por condições emocionais e subjetivas. A falta de sensibilidade ao mundo físico pode gerar condições que colocam em risco à idoneidade física de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos. Entretanto é a falta de sensibilidades a aspectos subjetivos, humanos, individuais, que causa uma série de incompreensões, as maiores querelas e dificulta nossa missão de, realizando nossos sonhos e projetos pessoais, construirmos um mundo melhor, sociedades mais justas por meio de uma solidária integração dos povos.
                A integração só é possível por meio da sensibilidade dos que se integram. Só é possível me ajustar ao outro se reconheço seus limites e os meus. Esse outro pode ser um parente, um colega,  um país, um bloco comercial ou plurinacional. É o "Outro" com O maiúsculo. Rousseau, em seu premiado "Discurso sobre a Desigualdade entre os Homens" diz, e eu parafraseio grosseiramente - que a filosofia é a mãe da desigualdade, da opressão e da violência. Sobretudo por que a capacidade filosófica nos dá condições de construirmos barreiras e oposições que subvertem nossa capacidade natural de sentirmos empatia por um outro que é manifestadamente nada mais é que uma versão diferente de nós mesmos. Longe de concordar com todo o argumento do Enciclopedista - que também era músico e musicólogo avant le lettre (antes da palavra musicólogo ser cunhada), creio que tal reflexão nessa direção poderá aguçar nossa sensibilidade.
                Nesta noite reconhecemos o benefício de todos anos de instrução que esses graduandos receberam. Como Instituto,  louvamos seus esforços - em especial numa Universidade em construção - e confiamos na sua capacidade intelectual e técnica para o exercício de suas carreiras. Entretanto, nenhum conhecimento, sejam aqueles mais específicos da área de formação, seja conteúdo das disciplinas de América Latina, aqueles transmitidos de maneira informal em festas, saraus e reuniões,  terá verdadeira serventia social se não forem munido de uma grande preocupação pela situação humana e, especialmente, sensibilidade para interpretar os contextos sempre em mutação, numa liquidez digna de um Zygmut Baumman. Ao saírmos da Universidade, tendemos a procurar a segurança dos conceitos aprendidos, das opiniões formadas com sofrimento nas grandes revisões que fazemos da nossa história pregressa; mas é necessário franqueza e sensibilidade para nos posicionarmos e reposicionarmos em um mundo onde a opressão surge dos lugares mais inesperados, e por vezes, nos vemos em papéis que não gostaríamos de estar, do lado dos que oprimem.
                A integração é nosso objetivo. Não qualquer integração, mas uma que promova a paz e justiça social para todos. Ser sensível também nos condiciona a interpretar quais caminhos devemos seguir e quais devemos evitar para alcançar essa integração. Buscamos valores e princípios comuns e reconhecemos as parcerias para essa integração, nas situações mais inusitadas. Estando sensíveis percebemos o incomum e apreendemos.
                Que cada um de vocês, nos diferentes cursos que se formam, possam encontrar realização no pleno exercício da sua profissão, e autonomia, que os levem à segurança de estarem sempre agindo em prol de serem melhores e tornar nossas sociedades, e em especial as sociedades Latino-americanos, como grande vizinhança com traços culturais e problemáticas comuns - mais justas, fraternas e tolerantes.     


sábado, 14 de março de 2015

Sobre as manifestações pós-eleitorais de 2015

Sobre as manifestações, um posicionamento pessoal:
Não acho que o PT seja mais hábil em desviar verbas que outros partidos, mas que para executar as reformas de base que executou no âmbito de combate a pobreza, foi necessário sim, molhar bolsos de políticos e de empresas. Ai entra uma questão: porque isso é necessário? Por causa do sistema político e de toda uma má vontade da população em geral com mudanças e tb dos empre$arios. Reforma política é um imperativo para um verdadeiro democrata...a não ser que concordemos com o Lobão, que política deve ser feita por ricos de meia idade que estudaram direito (bom, até pode ser se for em favor do povo e da eleição, mas geralmente esses ilustres não fazem isso, plutão geralmente não se importa com reles mortais).
Divergências de modelo econômico não justificam por o governo na mão de gente com a mão diretamente na sujeira, sem inversão do ônus da prova... minha opinião. Tendo visto que todo mundo pôs a mão na botija, deve haver isonomia no julgamento, algo que ainda não estamos vendo acontecer.
Com relação às questões morais volto a dizer: como cristão me sinto tranquilo em ter votado cada vez em Lula e em Dilma, e ter podido escolher deputados que defendam as causas com que minha consciência tem ficado em paz. Votei pelo pragmatismo, bem estar social. Vamos ter que fazer os ajustes, sim, mas acredito que seja necessário. Entretanto, no presente momento, sou a favor de austeridade com combate à corrupção o que acredito estar acontecendo.
Sou um anarquista - acredito que não há governo no mundo que me impede de fazer o que eu quero - primeiro porque sou livre, internamente, de qualquer sistema de opressão (MT 10:28) e porque a liberdade que tenho é para fazer o bem. Então, nunca tenho que fazer nenhuma concessão moral para votar nas causas sociais, porque não voto para a construção da minha fé ou para criar uma democracia religiosa, mas para a construção de um estado que julgo proteger os mais necessitados, pois acredito ser uma tópica do princípio cristão de quem conosco não ajunta, espalha.
Agora, como me perguntaram dia desses, o anarquismo É uma utopia... enquanto houver uma pessoa disposta a fazer o mal, será impossível vivê-lo, por isso acredito ser essa vontade de auto-gerência capaz de realização plena apenas em Kairós...não em Cronos...também por isso o pragmatismo... não me lembro de ter anulado meu voto.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Breve texto: Sobre nova educação, educação em arte e paradigmas acadêmicos em artes e ciências humanas.

O processo educativo numa época de sobrecarga/sobrexposição cultural que de forma paradoxal incide sobre um alunado que  se forma em meio a crise de pertencimento da pós-modernidade apresenta aos educadores uma série de problemas que tem o potencial tanto de renovarem a nossa área de atuação quanto de cavarem nossas sepulturas, nos enterrarem e celebrarem nosso enterro.

No processo geral do ensino escolar esses problemas já foram discutidos há bastante tempo, sobretudo no alvorecer do século XXI onde o acesso à informação com rapidez deixou marcas indeléveis no processo de ensino-aprendizagem. Esses processos de desconstrução da relação professor-aluno impulsionados pela crise geral do saber/ser do Flower Power, foram levados às portas da última instituição moderna que talvez tivesse alguma relevância técnica por causa de seu caráter 'científico-profissionalizante', a escola.

É claro que a grande maioria dos professores se manifesta contra uma suposta rebelião da classe discente num enfoque 'pessoalizador', mas trata-se de um problema conjuntural profundo, capaz de reorganizar nosso potencial profissional. Entre os frutos da crise das instituição modernas - entre elas a família 'tradicional' - houve a potencialização do protagonismo dos jovens em questões sociais-comportamentais, e por maior que tenha sido a resistência, esse processo de protagonismo juvenil tornou-se paradigmático na maioria das situações de ensino-aprendizagem. Com o advento da web 2.0, interativa por definição, a acentuada troca de papéis viabilizada pela inclusão digital conduz à caduquice a visão bancária de educação, pelo menos no que diz respeito à condição cognitiva dos estudantes e a relevância dos conteúdos aprendidos.

Reconhecendo isso, contudo, não estamos dispensando o professor do processo educacional, pelo contrário, convidando-o a se tornar mais ativo na articulação dos diversos campos de seu conhecimento - formação acadêmica, experiência empírica e conhecimento de tendências contemporâneas de sua área - enfim, convidando-o a participar de um processo continuo e gratuito de formação continuada. Na realidade, o papel do professor se acentua no contexto descrito e ainda mais na formação universitária, uma vez que, dada quantidade de disponibilidade de informação quase patológica o processo de construção de conhecimento é mais dificultoso.  A provocação à alteridade que o ensino superior propõe torna-se mais desafiadora porque o processo de aprendizagem obtido por meios 'próprios' e  por autonomia do estudante - sobretudo em idade adulta - é absorvido afetivamente de uma maneira intrínseca que impede a problematização dos conteúdos do(s) conhecimento(s) - o seu e o do outro -, não revelando de maneira objetiva o pano de fundo comum no qual se constrói qualquer conhecimento - a cognição humana. Nesse sentido, uma educação canônica/bancária em nível superior, embora profissionalizante, falha no âmago do pressuposto universitário e não proporciona 'a construção do conhecimento pelo domínio dos meios e conhecimento dos processos' mas apenas 'legitimiza' alguns conhecimentos em nível superior por meio de um diploma. É uma educação humanística com dois pontos: a entrada na universidade pela porta da frente e a saída na colação de grau com a 'benção do Reitor'. Não se educa para a liberdade.

Quando assim se dá, em especial nas artes e ciências humanas, mas também em diversas outras áreas - constrói um ambiente de epigonismo em que a educação bancária causa ainda mais dano do que na escola básica; uma vez que a escolha de uma carreira no ensino superior é feita pelo estudante - alguns já profissionalizados mas não 'universalizados' - torna-se muito cômodo para os atores do processo educacional se omitirem à problematização dos processos de legitimação do conhecimento/e de estética e 'fornecerem diplomas' como imperativo do mercado de trabalho.

Sabemos que na área de música e de artes em geral no Brasil especialmente, até  pouco tempo atrás fora de uma universidade um diploma de graduação não servia para muita coisa - nós músicos  tínhamos que ter carteirinha da OMB pra tocar na noite... entretanto, acredito que a experiência universitária para as artes é riquíssima e indispensável para a formação de artistas-pensadores, propositores de estéticas, relevantes na sociedade e é o maior legado que uma graduação universitária em arte deixa para seus estudantes. 

Portanto, é imperativo que, ainda que reconhecendo o protagonismo dos nossos estudantes nas áreas que para eles são confortáveis (o uso produtivo de tecnologia é uma das mais salientes nesse tempo) os professores sejam capazes de articular, desafiar, sondar as dificuldades dos seus estudantes e conduzi-los a uma liberdade criativa que seja o verdadeiro foco do ensino de artes humanístico que é o centro da presença da universidade de artes na sociedade.

Ou seremos suplantados pelos conservatórios no feliz dia em que o Brasil estiver cheio deles.


domingo, 8 de março de 2015

Agnus Dei Qui Tollis Pecata Mundi


Ceres não condiciona nossa alegria... na fartura e na carestia continuaremos Vivos.

Baco nos foi dado como cativo e temos seu espólio... não nos dominará... da beleza das uvas e da vida podemos desfrutar com a liberdade com a qual fomos feitos livres.

Hermes não nos confundirá com sua luz... já não somos escravos de seus conselhos confusos e sua luz não mais nos confundirá na busca por contentamento. O Conhecimento está em nós.

Marte não nos comanda em suas batalhas ególatras e sanguinolentas...  estamos engajados em um combate muito mais excelente e de seu exército somos desertores.

Hades morrerá de fome... não terá mais servos em grande número para o servirem... pois, exilados, resgatados, estes o deixam a cada dia.

O clamor de Gaia pelos maus tratos que vem sofrendo é muito grande e não tardará sua vingança contra todos os seres feitos de sua própria substância.

Entretanto, nós que fomos recolhidos por Paraclito e que vivemos na carne e no Espírito, temos a esperança de que, ainda que esse templo mortal desvaneça temos um templo incorruptível que nos aguarda fora de Cronos - o último dos nossos opressores.

E, enfim, conforme disse o Cantor que Salmodiava e Aquele de quem Cantava " Nós seremos deuses".

Amem

sábado, 7 de março de 2015

Philos, Eros, Thanatos, Agape e Evangelion


Philos é para nossa humilhação perante a natureza que há em nós;
Eros é para nossa humiliação perante a natureza que há nos outros e no mundo;
Thanatos é o nosso doloroso chamado à terra e manutenção do cosmos;
Evangelion é a nossa esperança de glorificação;
Agape é o uso do livre arbítrio que viabiliza a esperança.

Philos, Agape, Dinamos e Tanatos


Institucionalizar o 'amor/ágape' é impossível (gosto de lembrar do Jim Carrey no Todo Poderoso). Chegar à paz/shalom sem o amor/ágape é impossível - viveríamos, como hoje vivemos, ainda na lei de talião. Nos resta nos esforçar muito como seres humanos para buscar criar o respeito entre todas as pessoas - 'amor/philos'- e atrasar um pouco o fim deste tempo. Em todas as tentativas de se buscar a ordem por meio de 'força/dinamos', ainda que na busca de justiça, gera-se muito mais violência e morte do que se fôssemos deixados ao exercício do livre arbítrio regado por verdades apriorísticas de valor real (direitos humanos).
Pra ouvir ao som de "Imagine". Se não houvesse céu/esperança teríamos que, paradoxalmente, ser muito medíocres em toda nossa imaginação.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Garota Coscarque é encontrada após dez anos desaparecida e finalmente comprova: Coscarque funciona mesmo!

Por BilicoNews

Segunda-feira, 03 de março de 2015. Teria sido um dia comum para o escritor porto-alegrense Atanápio Jupalipa, se não tivesse quebrado uma regra de sua rotina para escrever os esboços de seu novo livro de ficção, “Canetas não falam”. Segundo Atanápio, foi depois de uma pane generalizada no seu computador que decidiu escrever os seus esboços à mão: “Deixava minha mulher utilizar meu computador e ela instalou todas as barras de ferramentas possíveis no navegador. Por algum tempo isso não alterou o funcionamento dele, até que ela instalou o Baidu e meu PC parou de vez. Tive que voltar aos antigos métodos de minha produção literária: lápis e borracha”. 

“Foi então na manhã dessa segunda-feira que algo muito estranho aconteceu. Ao pegar o que eu supunha ser um lápis e começar a apontar, ouço um ruído agudo muito estranho. Percebi que vinha do lápis. Era voz de mulher”. A primeira reação do escritor foi de estranheza absoluta. Depois, com a ajuda de um estetoscópio comunicou-se com a diminuta mulher. “Ela identificou-se como Rubenita Vargas, a 'Garota Coscarque'. E eu lá sabia o que era isso!”. Rubenita, em prantos, explicou que Coscarque era um famoso chá emagrecedor dos anos 90 que caiu em absoluto esquecimento na década seguinte. “Previa, desesperada, o fim da minha carreira de modelo. Somado ao sumiço do Coscarque das prateleiras as modelos vinham cada vez mais magras, cadavéricas. Me tranquei no meu quarto e comecei a consumir muita erva. A erva no caso era o Coscarque". "Coscarque funciona mesmo!” completa a modelo numa última tentativa de reviver a glória do antigo produto

Rubenita está na CTI do Hospital Menino Deus em Porto Alegre se recuperando. Ao dar-se conta disso exclamou “Eu não fui longe mesmo na vida... me internaram em Porto Alegre?”.Já Atatanápio está usufruindo dos seus 15 minutos de fama e decidiu rebatizar seu livro de contos e inserir a história de Rubenita. “Sim, se lápis podem falar, porque não canetas?”.
A assessoria de imprensa da Baidu LTDA não quis se pronunciar.


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Gabriel