Exercito de Salvação

sábado, 24 de dezembro de 2016

Natal: a estratégia de Deus deveria ser também a nossa


O Natal é uma data bastante importante. Há diversas maneiras de encarar o Natal e isso não tem a ver necessariamente com religião. Se você for hindu, budista, muçulmano, xintoísta, taoísta e viver numa  democracia provavelmente verá pessoas celebrando o Natal. Há cristãos que não celebram o Natal por não terem provas fáticas de que 25 de dezembro foi o dia do nascimento de Jesus (os cartórios de Belém não foram encontrados em escavações arqueológicas) e por existirem provas históricas que a escolha da data foi estratégia do Catolicismo para popularizar a fé cristã substituindo as festividades de divindades pagãs pelas do nascimento de Jesus. As pessoas que não creem mas gostam de festa e de estar com a família no feriado geralmente aproveitam a data para se encontrar. Alguns trocam presentes. Comerciantes e redes de televisão enchem nossas casas com musiquinhas que tentam capturar o espírito natalino (não entendo como ainda não fizeram um especial de Natal com os Ghostbusters).

"Estamos perdendo dinheiro, Geléia!"


Realmente, é muito difícil conseguir falar de Natal sem, eventualmente, tangenciar Jesus, ao menos como um assunto. Mas não é impossível. Se a Igreja Católica conseguiu ressignificar a festa pagã sem a tecnologia e a 'falta de tradição' que temos hoje, não nos surpreende que haja certo êxito na tentativa de se aproveitar comercialmente do Natal e que haja tão pouco interesse nele como evento histórico e espiritual.

Independente desses melindres todos, se conseguirmos nos desvencilhar desse alimento farto para nossa falta de paciência para o que realmente deveria nos interessar, podemos extrair muitos ensinamentos e até um sentido de vida completamente novo ao pensarmos sobre o Natal. Os detalhes sobre o nascimento de Jesus são relatados apenas no evangelho de Lucas. No evangelho de Mateus a narrativa do nascimento é resumida. Os outros evangelhos (Marcos e João) não se detêm na história de seu nascimento. Entretanto, todos terminam de modo semelhante, apontando a morte e a ressurreição de Cristo. Um cristão geralmente reconhecerá na Páscoa uma festa mais legítima e mais importante: correta cronologicamente e revela o cumprimento do propósito da vida de Cristo.

Entretanto, o Natal - com sua beleza e ternura características - contém os mesmos elementos da Páscoa e ensinamentos igualmente profundos. Sua grandiosidade - anjos, reis magos -  compensa a aparente 'ausência de Deus' que Cristo experimenta durante sua crucificação (o que revela, por outro lado, a grandiosidade do amor de Deus).

O reconhecimento da preexistência de Cristo (o Filho gerado mas não criado) demonstra outro paralelismo entre o Natal e a Páscoa. Para nós que surgimos ao sermos concebidos não poderia haver coisa mais distinta da morte que o nascimento. Entretanto, para Aquele que viveu a eternidade e a imortalidade, receber um corpo mortal era receber a própria morte.  O amor de Deus se manifesta como sacrifício de Si mesmo em prol de sua criação desde a manjedoura até a cruz.

A missão de Cristo - que será anunciada por ele adulto no sermão da montanha - é anunciada pelos anjos que celebram seu nascimento: Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade. A vinda do Senhor é a manifestação da boa vontade de Deus para com a humanidade. Fala do caráter amoroso de Deus e assim O glorifica. As pessoas de boa vontade terão paz em si mesmas, pois a receberão de Deus por meio da mensagem de reconciliação e da capacidade para viver a partir da mensagem que receberam. A oração de Jesus reforça esse desejo: Seja feita tua vontade na Terra... como é no Céu. 

A celebração dos anjos no nascimento de uma criança pobre também revela algo especial a respeito do Reino de Deus. Muita coisa que ignoramos é celebrada com pompa pelos que conhecem a Deus, pois eles sabem seu verdadeiro significado. Também na crucificação foi assim; um lugar de dor e humilhação era, na realidade, o portal espiritual que redefiniu a relação da humanidade com Deus e nos deu lugar permanente com Ele. Aparentemente, apenas um ladrão que partilhava o suplício com Jesus conseguiu enxergar com os olhos espirituais o que estava acontecendo ali.

A estratégia de Deus para servir ao homem se manifesta em cada momento do ministério de Jesus, mas pode ser vista de maneira muito vívida nos marcos do Natal e Páscoa. Sua missão é trazer a paz aos homens através da reconciliação com Deus, manifestando, para isso, o amor sacrificial que apaga a ofensa e oferece perdão. Que diferença isso faz em nossas vidas? A intenção de Deus também era nos mostrar que a vida que Cristo viveu encarnado - amando a todos, andando em justiça e por isso alcançando o amor dos bons e o ódio dos maus, a adoração dos anjos e o reconhecimento de Deus - está disponível a cada um de nós e isso tem consequências imediatas. As consequências imediatas envolvem uma mudança do 'centro gravitacional' da nossa existência, nos livrando da culpa e sentimento de inadequação que acumulamos ao longo da vida e que tendia a nos conduzir para vidas cada vez mais culpáveis e inadequadas. O perdão de Deus nos dá paz essencial e nos permite relações verdadeiramente amorosas com as pessoas, e no fim, isso é o mais importante. Vale a pena se esforçar por isso ainda que o sofrimento algumas vezes nos acompanhe. Foi o caminho que o próprio Deus trilhou. A estratégia de Deus deveria também ser a nossa.

Que nesse Natal reconheçamos que os verdadeiros votos de amor e paz que são feitos tem o carimbo do aniversariante. Que o penhor da realização desses votos foi o seu próprio sangue. Que da mesma forma que Ele habitou em corpos como os nossos nos prometeu habitação em um corpo glorificado igual ao que recebeu. E que a convicção de nossa eternidade e convite à Família de Deus dignifique o dia de nascimento de cada um de nós.

"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós".





Seja bem-vindo(a)!

Sinta-se livre pra desenvolver os assuntos aqui. Os próximos textos vão levar em consideração os comentários lidos!

Vamos tentar rir juntos, também.
Sempre é possível.

Gabriel