Exercito de Salvação

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Finados

Hoje se celebra o dia dos que já encontraram um fim, que já se foram, que partiram, como se diz... para onde foram, afinal de contas? Residem em nossas memórias, nos ensinamentos, nos exemplos de vida bons e ruins... mas certamente não é aqui que estão, pois as memórias são nossas, elas são nossa perspectiva das coisas e apenas metaforicamente 'são' aquelas pessoas. Todas as religiões do mundo - pelo menos as que eu tenho conhecimento - falam sobre uma realidade imaterial, transcendente do visível, observando mesmo nos vivos a tentativa de transcender o tempo todo, de dar valor maior ao que seria banal. Comer é muito mais do que fornecer ao corpo os nutrientes necessários, é um ato de celebração da capacidade de estarmos vivos, cheio de rituais de amor ao paladar e uma gratidão direcionada por tal possibilidade. Vestir é mais que 'ocultar as vergonhas' ou nos proteger do frio, é um ato de desenharmos no intangível quem somos, no que acreditamos,
o que valorizamos em nosso intelecto e corpo. Enfim, o que não vemos realmente define mais a nossa vida do que vemos... a beleza está nos olhos de quem vê, e esses olhos são da alma.

Independente de acreditarmos ou não na existência de uma vida após essa, essa questão não é a mais importante. Muitos acreditam no paraíso, mas o que seria o paraíso para eles? Nunca é igual... alguns chegam a dizer que prefeririam o 'inferno' ao paraíso, com o medo de que a plenitude de todas suas necessidades parasse aquela ânsia por mais e por melhor que norteia suas vidas carnais hoje, uma busca incessante por preenchimento (o que Freud tanto debateu).

O que importa de verdade é que entre tantos os dias comemorativos - dia do professor, do músico, do servidor público, do médico - teremos apenas um no futuro reservado para nós, o dia daqueles que morrem. É o dia mais democrático, porque, não podendo receber nada, apenas nos darão flores. Caixões não tem gaveta; as flores suavizam o ar para aqueles que estão vivos, assim como a busca por doces memórias dos que se foram acarinham seus corações saudosos. Não tornemos a busca das boas memórias um exercício difícil para os que ficarão, deixemos elas estocadas todo dia em lugar bem visível como que dizendo:

- Isso não deixo em testamento, porque tem de sobra para todos que me amam.

Bom dia
Seja bem-vindo(a)!

Sinta-se livre pra desenvolver os assuntos aqui. Os próximos textos vão levar em consideração os comentários lidos!

Vamos tentar rir juntos, também.
Sempre é possível.

Gabriel