Exercito de Salvação

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Babel na Eclesia: quando edificamos torres no lugar de igrejas


O texto de Gênesis 11 relata a construção de Babel. Trata de um empreendimento humano feito em oposição à ordem expressa de Deus à Adão (Gn 1:28) e repetida à Noé (Gn 9:1). Enquanto Deus ordenou a esses patriarcas o enchimento da Terra, Babel foi construída para que aquelas pessoas "não fossem espalhadas sobre a face da terra" (Gn 11:4). Um objetivo adicional de Babel era a busca por fama de seus construtores, que a construíam também para ficarem famosos.

Gostaria de fazer uma relação entre a Torre de Babel e o quanto ela se aproxima, tristemente, do objetivo de certas igrejas do nosso tempo, o que vemos expressos na cultura e costumes de parte do rebanho evangélico.

- Enquanto a ordem do Senhor no novo testamento é  "ide por todo mundo" (Mt 16:15) líderes religiosos muitas vezes dizem, "fique"! Como os construtores de Babel, constroem estrutura física e ministerial para que aqueles que se deixam dirigir por eles permaneçam onde estão e não se espalhem pela Terra. O chamado do Senhor é "para fora" - uma das traduções possíveis de ekklesia, termo grego donde deriva a palavra igreja, é "chamados para fora".

- Babel também foi construída para tornar os construtores famosos ("façamo-nos um nome", em Gn 11). Em Gênesis 12, depois de frustrada por Deus a construção de Babel, o Senhor promete, Ele mesmo "engrandecer o nome" de Abrãao, contanto que esse o obedeça, saindo da sua casa e do meio de seus parentes para iniciar um projeto de Deus. Impérios religiosos são construídos para dar nome e fama aos seus construtores, ao seu carisma pessoal, às suas capacidades de liderança, de coaching, de administração financeira. A igreja de Jesus, por outro lado, é feita comunidade em movimento, em expansão.

- Na época de Babel todas pessoas falavam uma só língua. Era uma comunidade feita de iguais, unidos em um só propósito (Gn 11:6). Costumamos pensar em unidade como algo necessariamente bom. No caso não era: pois estavam unidos para algo mal, e sua unidade de propósito aumentava o alcance daquilo que organizavam.
Babel é comunidade de iguais, uma torre de marfim. A igreja se expande não apenas geograficamente, mas culturalmente; alcança todas línguas, todos povos, todas culturas. Apresenta-as ao Cristo, seu criador (Gn 11:9) e revela a cada uma delas o seu propósito, realçando a beleza da sua individualidade frente a luz que brota da Divindade.

Sempre que igrejas imitaram o padrão de Babel (ênfase em estrutura, "mesma língua"/cultura, tendência agregadora que impede expansão), o Senhor veio e, como em Babel ao confundir a língua das pessoas, os espalhou pela face da terra, pra que, finalmente, cumpram o propósito de expansão e transformação além das barreiras pequenas que nos parecem grandes edifícios.

"eles cantavam um cântico novo: “Tu és digno de tomar o livro e de abrir seus selos, porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, língua, povo e naçãoTu os constituíste reino e sacerdotes para o nosso Deus; e assim reinarão sobre a terra”. 

Apocalipse de João, cap 5:9-10

Resultado de imagem para torre de babel
para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra.

Gênesis 11:4

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Graça barata em Gênesis 4

"Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?"
Carta de Paulo aos Romanos 6:1-2

Lendo o capítulo 4 de Gênesis me ocorreu que a história de Caim e de Lameque (seu tataraneto) trata da chamada "graça barata", aquele falso aproveitamento da graça de Deus para pecar, contra o que o ap. Paulo adverte no texto bíblico que encabeça essa postagem. 

Caim, após cometer o primeiro assassinato de que se tem notícia, recebe um sinal misterioso que o protege de ser assassinado por outros. Após Caim ter matado Abel Deus demonstra sua graça - mesmo avisando Caim de que o pecado estava o assediando e que ele deveria resistir (Gn 4:7) - protegendo-lhe a vida.

O tempo passa e depois de algumas gerações surge Lameque, o primeiro polígamo que se tem notícia no texto bíblico. Ele chama suas duas mulheres e se gaba de ter defendido sua honra matando dois homens por motivos fúteis. Eis o texto: 

"E disse Lameque às suas esposas:
Ada e Zilá, ouvi-me;
vós, mulheres de Lameque, escutai o que passo a dizer-vos:
Matei um homem porque ele me feriu;
e um rapaz porque me pisou.
Sete vezes se tomará vingança de Caim,
de Lameque, porém, setenta vezes sete."
Gênesis 4:23-24

Em outras palavras Lameque diz: "se Deus protegeu Caim após o assassinato de Abel, serei protegido infinitamente mais, já que matei dois". 

Ou seja, Lameque, aproveitou-se da graça que Caim recebeu para fazer o que queria. 

Sabemos onde acaba essa história. Em Gênesis 6, Deus declara a total corrupção da espécie humana (exceto Noé e sua família), numa barbaridade que só seria posta em fim com a desolação do Dilúvio.

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Voltando para Paulo: ele exorta os irmãos a não usarem a graça que receberam para continuarem em pecado. Ele diz que não faz sentido viver naquilo que a própria graça aniquilou: o pecado. Ele prevê a possibilidade de que os irmãos, que não precisam mais guardar a Lei de Moisés, deixem de vigiar seu modo de viver a ponto de pecarem prevendo o perdão posterior, ou mesmo nem se importando com isso. Paulo, na 1a carta aos Coríntios (cap.5) acusa alguns irmãos daquela cidade de viver em imoralidade "como nem mesmo entre os gentios" havia. Ou seja, cristãos vivendo de um jeito pior que os que não criam.

Se parece em algo com o que vemos hoje?
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Cristo é a marca de Deus que nos livra da morte, prefigurada em Caim. As acusações de que há gente que supostamente desfruta da graça (cristãos) que vive de um jeito pior dos que não creem não são completamente infundadas. Há também aqueles netos, bisnetos e tataranetos de cristãos que hoje não creem e vivem numa falsa liberdade que tenta simular a liberdade dos que vivem na luz. Cuidemos para não sermos os Lameques da nossa geração.
É importante dizer que o que vem por aí é bem pior que o Dilúvio (2 Pe 3)
 
Vamos garantir nossa permanência na arca da nova aliança e lembrar daquilo que nos é prometido: imortalidade num novo céu e nova terra onde habita a justiça.




Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde?
De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?

Romanos 6:1,2
Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde?
De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?

Romanos 6:1,2
Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde?
De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?

Romanos 6:1,2
Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde?
De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?

Romanos 6:1,2"
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Vamos tentar rir juntos, também.
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Gabriel