Bom, semana retrasada no Simpósio Internacional Villa-Lobos perguntei ao crítico do Jornal O Estado de São Paulo - João Marcos Coelho - sobre o papel da crítica num contexto educacional. No momento minha cabeça estava direcionada ao problema da falta de educação musical escolar e como que a crítica de jornal poderia instigar as pessoas a pensar a respeito dos 'objetos artísticos' ao invés de recebê-los como uma 'verdade' ou uma obrigação imposta por um 'pai midiático'.
Critiquei-o porque pensava que o crítico não poderia se ater às suas opiniões pessoais para divulgar uma interpretação de algo que não enriqueça às experiências estéticas e artísticas das pessoas.
Hoje, entretanto farei diferente. Assisti a um dos piores filmes que meus olhos e ouvidos tiveram a dedicação de perceber.
Claro, Perfume - a história de um assassino, não é de todo ruim, não. O figurino e a música são muito adequados...ao efeito proposto (e buracos deixados) por um roteiro péssimo, simplista, fatalista - extremamente previsível em alguns momentos e totalmente incoerente em outros - como uma espécie de último recurso e apelo aos expectadores para que permaneçam acordados esperando onde que a trama maluca vai dar afinal de contas.
A história é basicamente a seguinte. Um rapaz frances, no início do século XVIII tem um talento especial para perfumaria, é tarado por mulheres) e sai matando todas que encontra sozinhas no escuro para conseguir uma essência para um perfume. É caçado freneticamente por toda cidade, e quando é encontrado e condenado, adivinhem? O aroma do perfume que ele construiu comove toda a cidade em pleno momento da execução, transformando a plebe enraivecida em loucos por sexo. Uma suruba se inicia e até o bispo da cidade sai na safadeza. Obviamente, ele foge, mas desesperado por não sentir o 'amor verdadeiro' despeja em si mesmo o tal perfume e é devorado por mendigos.
Acredito que não precisaria falar mais nada para demonstrar a falta de riqueza na estrutura desse filme. Se você leu até aqui pode estar praguejando contra mim, mas acredite, salvei uma noite que você poderia passar com sua família, namorada, ou mesmo na internet.
O grande problema desse filme, por incrível que pareça ainda não é isso. Se encontra nas partes menos importantes, nos clichês cinematográficos, a começar pelo protagonista que é a perfeita dicotomia entre voracidade pelos cheiros (similar ao meu cachorro Billy) e um senso estético extremamente apurado, uma coisa que o diretor não resolve durante todo o filme, e que aperece também no fim, quando esse personagem que mata dezenas de mulheres decide morrer, pois nada valia a pena, se não sentia amor. Que personagem é esse?
A música parece o tempo todo querer seduzir o afeto do expectador, com ritmos do pulsar do coração, linhas melódicas agudas que ficam suspensas por tempos intermináveis, até onde o diretor achou que você deve relaxar ou não. A trilha sonora não é de época, é orquestral típica do séc. XIX (romantismo), super apelativa, de uma grandiosidade que remete à Piratas do Caribe, mas sem 10 por cento do valor artístico do roteiro.
E o fim, totalmente decepcionante. Se você tem um pouquinho de senso de justiça inato, vai desejar que o assassino seja executado, mas não. Todos o adoram, inclusive um dos pais que perdeu sua filha.
Nessas horas gostaria de saber bem francês, para poder falar palavrões com classe e pompa. lol
Por outro lado, se puder assistir UP - Altas aventuras é um filme redondinho, muito bem escrito e a família vai adorar.
Ouvindo http://www.youtube.com/watch?v=VwGw9kZgpYg

3 comentários:
Bela dissertação Gabriel!!
Ainda bem que ñ assisti a esse filme!! rsrs
Abrass
Att
J César
Olá Júlio...que bom que vc gostou....ainda mais por representares os jovens da igreja :D
Mas dá pra assistir só não dá pra esperar muito..
De simplista o filme não tem nada,é uma construção ótima para um livro aclamado da década de 80 que foi traduzido para mais de 45 linguas. A fotografia é ótima e de muita subjetividade, essencial para o clima da história. A trilha sonora contribui com a criação do personagem anti-herói que é o Jean, que apesar de voraz pelas essencias tem aquele olhar inocente e que tenta justificar as atrocidades em função da busca apaxonada que ele tem na tentativa de encontrar a si mesmo, a mesma relação com a doença chamada AMOR. O que eu considero o alvo principal de critica aqui. Ações que fogem a razão influencidas por emoções que extrapolam nossa racionalidade e equilibrio. Aqui a analogia é através do olfato, na tentativa de quebra com aquilo que já é posto, a sexualidade direta. É um filme muito simbólico e exige um olhar mais apurado e critico para perceber as várias analogias e críticas implicitas que a história tras, mas enfim..vale um olhar menos problemático e sim mais problematizador das quetões possíveis de se levantar por esse conto de fadas adulto que é o Perfume.
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