Falo isso porque não sei em que lugar que tenha conhecido se consegue tornar uma viagem extensa e fatigante até o centro (uma hora de duração, de pé, num ônibus tarifado em R$2,80) ser bela e serena, com um ar fresco e um arco-íris de por inveja na abertura dos "ursinhos carinhosos".
Também não sei que lugar para que tenha viajado, a falta injustificável de vida cultural e artística consiga ser parcialmente compensada pela existência de tantas belezas naturais, como praias, lagunas e lagoas, e morros.
Afinal de contas, que outro lugar no país atrai tantos moradores novos, sem promessas de carreiras de sucesso em direito, música/arte ou em marketing viral? Só Florianópolis.
Ah, também temos os funcionários públicos, que em Florianópolis parecem não terem entendido que "público" se refere a povo. Mas eles também não estragam a beleza da cidade.
Há também os que vem estudar aqui, talvez a salvação venha por eles.
O fato é que todos nós que moramos aqui - principalmente os do setor do turismo - deveríamos nos ajoelhar e agradecer a Deus todo dia de manhã pelo presente que este lugar que moramos.
O que vocês, empreiteiros, fizeram aqui na Ilha que mereça o louvor de vocês, ou que atraia os turistas? Elevado disso, Elevado daquilo, Estação de tratamento de Esgoto na entrada da cidade? (para os que nunca vieram aqui, tampem os narizes após cruzar a ponte. Depois de dez segundos soltem).
Mas de fato, a culpa não é de vocês. É dos homenzinhos e mulherzinhas que não honram a confiança do povo. Que fazem política não por vocação ou convicção e que se baseiam no nosso estilo de vida desligado e contente que a alegria da natureza de Floripa nos inspira.
E um desses, um tal de Sr. Dário Berger, que me dizem ser o atual prefeito de Florianópolis (que em quase 8 anos de mandado, vi apenas no comício, na igreja renascer) quer ser o governador do nosso Estado.
Por favor, parem esse sujeito! A belíssima natureza de Floripa ainda consegue compensar a falta de atributos políticos desse sujeito, mas o Estado de Santa Catarina provavelmente não conseguirá...

8 comentários:
Legal teu post. Bastante reivindicador. rsrs mas com um certo ar de razão!! não o da ponte é claro!! rsrs
Boa tiradinha essa do ar, demorou pra cair a ficha...
Pois é, estou reivindicando, mas como dizia um certo personagem:
To mentin(d)o? Falo mermo!
Abraço!
Rubens Alves escreveu sobre Florip:
SE EU PUDESSE , me mudaria para Floripa. Gosto dela por ela mesma, pelo lugar, pelo mar azul, pelas águas mansas, pelo cheiro de maresia, pelos barcos a vela, pelos golfinhos... Sempre me lembro de uma manhã de felicidade boba -felicidade boba é felicidade que acontece de repente, sem preparo, com pouca coisa, em momentos de distração. Eu, mulher e filhos pequenos éramos o mundo (em Floripa, a gente se esquece do mundo), assentados numa baía rasa de água morna catando berbigões, moluscos deliciosos quando feitos com arroz...
Gosto dela mesma, mas gosto também daquilo que ela me faz lembrar. Em Floripa, eu me sinto em casa. Melhor dizendo: volto para casa.
Eu nasci em Minas, lugar onde parece que não há mar. O problema é que os visitantes, ainda não iniciados nos mistérios de Minas, procuram o mar no lugar errado. Tomei muito banho de mar em Minas, especialmente em noite de lua cheia.
Tive uma casa lá no alto de uma montanha, dentro da crat era de um vulcão adormecido há 500 milhões de anos.
Nietzsche escreveu em algum lugar que o segredo da criatividade ou, quem sabe, da juventude é construir uma casa na base de um vulcão. Para a gente nunca dormir descansado. Viver perigosamente. Sempre é possível que o vulcão acorde do seu sono. Agora, com a fúria da terra que acordou do seu sono com terremotos e tsunamis, me pergunto: e se o vulcão adormecido acordar?
Mandei esculpir numa prancha de madeira de lei as instruções para aqueles que querem ver o mar de Minas: "O mar de Minas não é no mar. O mar de Minas é no céu, prÃ? mundo olhar prá cima e navegar, sem nunca ter um porto prá chegar". Peço perdão ao poeta cujo nome esqueci. Lá, eu tomei muito banho de mar olhando pro céu. Eu olhava para cima, via as nuvens, navios que o vento tocava.
Aí sai das montanhas e fui para o mar. Mudei-me para o Rio. O mar é um espanto. Meu filho de quatro anos, depois de molhar os pés nas águas do mar pela primeira vez, me perguntou ao voltar para a casa: "O que é que o mar faz quando a gente vai dormir?"
O Rio era bom porque ele era mar e montanha ao mesmo tempo. E eu fiquei assim dividido, e até escrevi uma história para grandes e pequenos com o título de "A Selva e o Mar".
Mas agora o Rio ficou um lugar de tiros e medos. Tranquilidade não se encontra em nenhum lugar.
Por isso, gosto de Floripa, porque lá eu me lembro da minha infância livre no Rio, embora os cariocas nunca tivessem perdoado o meu sotaque de mineiro. Ir a Floripa é viajar em busca do tempo perdido.
Mas, para eu me mudar para Floripa, é preciso que ela mude de nome. Porque Floripa não é o nome dela. É um apelido de amor, que poderia ser para a mulher amada.
O nome oficial dela, escrito nos documentos e envelopes de cartas, é Florianópolis, cidade do Floriano. Floriano era nome de militar, apelidado de "marechal de ferro", um estranho nascido em Ipioca, distri to de Maceió, Alagoas. Não foi à toa que lhe deram esse apelido. Seus ferros furaram as paredes de um forte onde os inimigos da República eram executados por sua ordem. Pelo menos, foi isso que o guia me contou. E, olhando para a parede esburacada pelas balas, lembrei-me da tela terrível de Goya: "O Fuzilamento". E a cidade, que tinha outro nome, foi rebatizada com o nome de Floriano para celebrar uma vitória militar do férreo marechal.
Quero me mudar para a dita cidade. Mas não me dou bem com o seu nome. No dia em que a capital passar a ser oficialmente chamada de Floripa, cidade das flores, então eu mudo...
Que texto incrível Fernando!
Peço permissão para publicá-lo em meu blog, nessa mesma seção!
Abraço
É para se pensar!!!
Gostei do post, Gabriel... com uma ironia critica e aparentemente despretenciosa no começo, você conseguiu abordar o assunto do politico de forma bem interessante! hehe
Até breve, querido! ; )
Sabe, imito certas pessoas que usam da ironia e da comédia pra falarem coisas sérias. É como dar um tapa e beijar depois...risos.
Claro, não o Dario Berger.
risos....
Abraço!
Boa tarde!
Sou de caxias do sul -rs e to querendo ir morar ae por floripa no final do ano não sei se alguem pode me ajudar se sabes de alguma vaga de emprego e de alugueis por ae..nen que for de garçom algo assim pra começar nessa cidade linda! no aguardo abraços
Morar em Floripa? Vcs pensam pequeno demais, pelamor!!
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