Findaram-se nessas últimas semanas os dois fermentos da imprensa brasileira do mês de março. O julgamento do casal Nardoni e o Big Brother Brasil.
Muito embora pareçam diferentes a primeira vista ambos eventos demonstram muitas similaridades que podem enriquecer nossa percepção sobre nós, humanos , a mídia televisiva em geral, e a televisão brasileira.
Em ambos espetáculos muita expectativa: dois anos de trâmites até o julgamento; alguns meses de rasgação de seda na "casa mais vigiada do Brasil".
O interesse pela vida alheia e uma procura pela empatia do que acontece com outra pessoa detrás da telinha.
Queremos justiça para a família da Ana Carolina Oliveira - como iríamos querer se fosse nossa a situação - e queremos que o Dourado ganhe, porque foi verdadeiro e perseverante - qualidades que gostaríamos muito de ter - ou pelo menos de ver com mais frequência por aí.
Enfim, como em todo bom roteiro, precisamos de um herói, um salvador da pátria. No caso Isabella o promotor Cembranelli foi o ponto central da atração. Diversos fóruns de redes sociais continham as declarações de mulheres apaixonadas por esse cidadão - ele também foi ovacionado como um santo dentro da capela em que os amigos de Isabella, família e curiosos faziam uma missa à memória da menina. Já no BBB, Dourado foi o mocinho que praticamente ganhou o Brasil na casa (odeio quando usam o nome do meu país de forma tão generalizada). Nem a militância gay, com suas reprimendas, impediu que o lutador ganhasse.
Eis semelhanças em coisas tão distintas. Entretanto a maior semelhança e que adoramos assistir essas coisas.
Chama-nos a atenção aquilo que é alheio, que é "bafão", que é sensacional.
O joguinho é mais ou menos assim:
- a televisão promove uma coisa banal, por acontecer quase todo dia ou por ser banal em si mesma - infanticídios e baixaria em uma jaula, respectivamente.
- a televisão bombardeia nossas casas com informações de plantão até que achemos que a coisa é importante mesmo. "Já que o diretor da TV Globo ou Record acha que é bom pra mim, então é bom mesmo". Como diria Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazista de Hitler " Uma mentira repetida cem vezes torna-se uma verdade".
- Assistimos a cobertura especial do evento na TV aberta, assinamos pay-per-view, lemos nos sites das emissoras, nossos assuntos cotidianos nas conversas tendem para esses temas. A imprensa move fortunas com ligações e merchandising;
- Eu e você não ganhamos nada com isso. Apenas perdemos tempo de produzir, estudar, estar com a família, ler um livro ou ver um vídeo realmente interessante no You Tube
Fim de jogo na sala de estar: 1 x 0: televisão.
De fato, é importante que estejamos informados, por dentro do que acontece. Mas até certa medida. Devemos nos lembrar que assim como houve o assassinato da querida Isabella Nardoni - que está com o Senhor nesse momento - há muito mais violência contra as crianças do que se possa imaginar. Coisas terríveis, ainda mais terríveis e cruéis que NÃO VÃO APARECER NUNCA NA MÍDIA. Posso falar pois conheço uma coordenadora do Conselho Tutelar que conta coisas horríveis que ela presenciou. Fica tudo abafado.
Quanto ao BBB, bom, vocês já sabem minha opinião :http://gabzmoreira.blogspot.com/2010/01/sobre-o-big-brother-brasil.html
A questão é entre Assistir e Agir. Fazer acontecer, e não esperar para ver. Vamos adotar animais de estimação, visitar a vó que tá esquecida, escrever um poema, namorar. Se você é fã do Big Brother, fique tranquilo, já tá no décimo, não vai parar por aí. E furos de reportagens criminais também tem todo ano. Esses são muito mais fáceis de escolher no nosso país! Já foi Eloá, Helicópteros abatidos no Rio, Massacre na Favela do Alemão, Rocinha - ih, falei só do Sudeste!
plim, plim!
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4 comentários:
Odeio com todas as forças esse negócio de "notícia do mês".
Sobre o BBB, apesar de ser lixo eu acho que nego exagera reclamando dele.. acho que o programa eh uma fonte interessante de análise de parte da sociedade.
Oi Daniel.
Tava querendo aparecer por ai um dia desses.
Eu concordo com você sobre o BBB ser fonte de análise, e graças a "deus" não faço parte da amostra pesquisada..hehehe
abraço.
Nós não geramos mais homens valorosos, por que a nossa sociedade gosta de assistir carnaval e banalidades. São pessoas que assistem, não são pessoas que fazem acontecer!
Por isso a maioria passa pela vida sem deixar nada de valor.
Muito bom o texto hein!
Pois então...acho que as pessoas que saem pra desfilar no Carnaval tem mais atitude do que aquelas que ficam olhando...heheh.
Brincadeiras a parte, a situação é assim mesmo.
Espero que deixemos algo de muito nessa terra quando nos formos.
Acho que vou escrever sobre isso aqui.
Abraço...
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