Exercito de Salvação

sábado, 9 de abril de 2011

Regurgitando desgraças: o trabalho da mídia brasiliana.

Talvez contrário a uma tendência nacional, evitei ligar a TV nesses últimos dois dias. Basta abrir o Twitter e ver que desde o dia  TAL, os assuntos mais falados na rede no Brasil são relacionados ao massacre do Realengo.

Todos ficamos consternados, sofremos, enlutamos junto com as famílias. Mas a televisão e a internet (os grandes conglomerados) vendo a 'boquinha' que o assunto representa, conseguem digerir, mas não processar a coisa toda. Depois de digerido uma vez,o assunto 'volta à boca' da população e se prepara para uma nova digestão, se tornando indigesto e trazendo novos problemas; resultantes, agora, da maneira que a grande mídia trata esses assuntos hediondos.

Após o primeiro impacto que as notícias causam, no seu poder informativo, se constróem discursos onde se procuram culpados. Depois disso, outros discursos procuram reler a história de todos ângulos possíveis, e nesses momentos quase se deifica o bandido. Procuram relíquias dele: vídeos, coisas nas entrelinhas, entrevistam a mãe do porteiro da escola... Que me interessa saber que a última refeição do cidadão foi arroz e frango, ou que a arma dele custo 250 reais, ou que ele disparou muito rápido? A que reflexão que tais 'informações' conduzem a população?

Com a desculpa de se fazer um serviço à população a grande mídia exagera, de forma doentia. Se não dá ideias a outros maníacos que querem fama e se vingar do 'mundo cruel', toda a 'moral' que se poderia extrair desse evento se perde nos detalhes sordidos dos programas da tarde e tablóides. São inescrupulosos; a essa altura da regurgitação da desgraça, os jornalistas não me convencem que estão realmente comovidos com a situação, e tampouco os âncoras dos tele jornais.

Depois que vi uma criança dizer que o bandido dessa situação lá em Realengo disparava muito rápido, com direito a um sorriso na cara, efeitos sonoros e uma pistola de mão, me convenço mais ainda de que ligar a televisão nesses dias pode ser mais um convite à banalização da violência do que uma atitude cidadã de condoer-se do sofrimento alheio.

Eu não quero saber mais dessa situação. Oro fervorosamente a Deus pelas famílias que realmente estão sofrendo, mas prefiro ficar no coro dos contrários nessa situação.

2 comentários:

Anônimo disse...

OI Gabriel,lí o seu artigo sobre a tragédia de Realengo como vc vê o comportamento da mídia noticiando a tragédia. VC tem uma outra maneira de comunicar o ocorrido? Se tem diga como.Eu ví o noticiário na Globo,que segue uma linha mas 'ligth',e me emocionei com o que ví e no meu coração em silêncio eu clamava:Misericórdia.Olhando uma montanha de vários ângulos,veremos coisas diferentes,um lado expressa uma vegetação densa,outro lado uma pedra careca,outro lado uma vegetação tipo mata,e de outro angulo um fonte de água descendo,a montanha é a mesma.Não sei como deveria ser noticiado as tragédias como no Japão, vc tem uma idéia melhor?
tito sem sal com pimenta,from brasília.

Gabriel Moreira disse...

Oi Tito.
Eu cito nesse artigo dois comportamentos possíveis. O primeiro é noticiar, com toda a emoção que é devida ao ocorrido, como esse noticiário light que você assistiu. A outra e remexer no assunto até ele parecer despersonalizado e ficarmos apenas 'sentindo' nojo, raiva, 'misericórdia' ou algo assim, sem olhar a coisa como algo mais amplo e inserido dentro de contexto. Assim perdemos todas as lições de vida que podíamos tirar. Confundimos realidade e ficção, e como estão ambas na telinha a mistura fica mais fácil de acontecer. Não sou contra o sentimentalismo, mas seu exagero é interessante apenas para uma mídia que de tanto 'remédio' intoxica as pessoas.
Abraços.

Seja bem-vindo(a)!

Sinta-se livre pra desenvolver os assuntos aqui. Os próximos textos vão levar em consideração os comentários lidos!

Vamos tentar rir juntos, também.
Sempre é possível.

Gabriel