Hoje, parece que mais um dos sintomas da nossa cultura, filha dos EUA, se mostrou sem máscara.
Atentados em escolas não costumam figurar nos nossos jornais.
Outra coisa que não costuma figurar nos nossos jornais é a crítica de uma sociedade que proporciona esse tipo de comportamento através de um descrédito total no que chamamos de 'amor', 'piedade' ou 'misericórdia'. Para eles são temas religiosos, não inspiram as pessoas ao que realmente 'vale a pena'. "Não", nos dizem sem palavras os tablóides, "esse não é o tipo de postura que contribua para uma sociedade de consumo, baseada em meritocracia e competição". Essa imprensa hipócrita, que faz coro com o Mercado, nos mostra todos os dias cenas terríveis de assassinatos, roubos, corrupção, mas não mostra as verdadeiras causas dessas infelicidades.
Sim, porque se mostrasse estaria depondo contra si mesma, contra suas novelas, programas de auditório, e reality shows onde toda a sacanagem e barbaridade pode ser feita aos olhos de crianças e adolescentes em formação, lhes ensinando - com extrema eficiência que os meios de comunicação possuem - que não existe moral, ética ou qualquer princípio a se seguir na vida, a não ser ter o máximo de dinheiro possível, custe o que custar.
Nossa televisão 'bomba' as notícias de desgraça, mas paradoxalmente, não nos mostra suas causas. Põe a culpa no governo, seu 'inimigo', onde tudo desencadeia, mas contra o Mercado, nada fala. Contra a especulação das mentes da juventude, nada diz. Tenta injetar na audiência a ideia de que tudo está perdido, e já que nada pode ser feito (porque o governo não faz nada), devemos nos acomodar e procurar por prazer imediato (já que podemos estar mortos a qualquer momento).
Mas, vocês hão de concordar, é esse o mesmo raciocínio que impõe aos jovens pobres a necessidade de se envolverem na criminalidade! Se a razão última da vida é o possuir coisas ditas 'boas' - e nós muitas vezes parecemos concordar com isso quando julgamos bem sucedido alguém que possui dinheiro e bens, e não pessoas de caráter - o que resta a um jovem pobre sem perspectiva de 'crescer na vida'? Os marginais também estão dispostos a fazer tudo - como os BBB´s- por dinheiro e reconhecimento, nem que esse reconhecimento seja através do medo que causam à população.
Pois bem; essa televisão (e porque não a internet) que glamouriza o consumo nas propagandas brilhantes, consegue esconder totalmente a relação dessa glamurização e os crimes que temos visto todos os dias nos seus telejornais. Como são bons nisso!
Que Deus tenha misericórdia das famílias das crianças mortas.
Abraço.

Um comentário:
Excelente abordagem Gabriel, pegou justamente na raiz. Dá nojo ver a emissoras de TV falando em amor, paz, bem e depois colocando programas cheios de imoralidade na programação. Será que não percebem que uma coisa está ligada a outra?
Belo texto.
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