Notas sobre regência
A figura do regente na orquestra surge mais efetivamente no período do classicismo na música (1750); coincidentemente, na época da revolução industrial. O regente tem um papel de liderança e de organização importantíssimo na música, e conforme as orquestras vão crescendo em tamanho (chegando a conjuntos gigantescos ao final do romantismo, como na Oitava Sinfonia de Gustav Mahler, conhecida como a Sinfonia dos Mil) vai ficando cada vez mais necessário alguém que organize e dê diretrizes para a realização da música orquestral. Lembremos que à época não existia meios de gravação e reprodução musical, que não os músicos e seus agrupamentos, portanto para se ouvir músico precisava-se de músicos, e quanto mais músicos mais se necessitava do regente.
A regência, sem dúvida, é um exercício de liderança, e a audição duma obra musical por uma orquestra é uma dinâmica de liderança e função ao vivo e à cores. Aproveito para dizer que prefiro a palavra inglesa para regente: conductor, o que conduz. Agora, quais são, objetivamente, as características essenciais para uma boa prática de regência, ou condução musical?
1) comunicação visual e gestual: ao início da peça o regente estabelece um contato visual com a orquestra, chamando-lhe a atenção, e ergue a batuta suspensa no ar, para que ao descê-la a música comece. Seus gestos devem ser sempre claros e expressivos durante toda a música, garantindo a eficácia da regência.
2) Marcação de tempo e andamento: sem o regente cada músico tocaria a música com o ritmo que melhor lhe conviesse, resultando que a música não soaria integrada, e tão pouco seria a música em questão. Com o ritmo de suas mãos à batuta, o regente organiza todas as interpretações particulares de cada músico, tanto no contexto do seu naipe (metais, cordas, madeiras, percussão...) quanto no contexto da orquestra inteira, garantindo a integração do trabalho dos músicos. O regente também organiza às mudanças de velocidade na música, que serão acompanhadas pela orquestra.
3) Indicações de intensidade: o regente também organiza o volume de cada naipe. Principalmente durante os ensaios que tem antes da apresentação, o regente explica aos músicos questões sobre intensidade do som, para que ao tocar a música todos possam ser escutados. A falta desse cuidado acarreta na dificuldade de se ouvir um instrumento em decorrência do volume muito forte de outro (ex. trompetes 'apagando' flautas). Isso é muito importante também nas seções de solo, onde um instrumento tem predominância, enquanto os outros o acompanham e dialogam com ele.
4)Pausas: o regente também precisa sinalizar a duração de pausas dentro da música. Há pausas na música que não tem duração definida, como os fim de frases. Nesse momento cabe ao regente escolher se a pausa será longa ou curta, e sinalizá-la à orquestra, bem como o retorno à música. Toda a orquestra precisa segui-lo nesse momento, ou o resultado poderá ser catastrófico; instrumentos atrasados e incertos tocando fora da massa orquestral.
Por fim, qual o objetivo da música ser tocada? Para que às pessoas vão aos concertos? Para serem 'tocadas' emocionalmente e cognitivamente pela música. O compositor, ao escrever a música, traçou um planejamento para causar um efeito na audiência que lhe ouve. O regente e a orquestra, que são um, trabalham no objetivo de interpretar essa composição, transformá-la em música e, pretensamente, realizar mais uma vez o intento do compositor que a escreveu.
Como se mede o sucesso dessa empreitada? Bom, um índice seria a reação da platéia, por meio de aplausos. Se gostarem muito, até ficam de pé para aplaudir.Se a música for bem escrita (a partitura) e bem executada, dificilmente isso não acontecerá. Agora, se a música não tenha sido escrita segundo o gosto e o entendimento da platéia, por mais que o regente faça seu papel e os músicos o deles, não surtirá o efeito desejado.
Por outro lado, se os músicos não forem hábeis aos instrumentos ou não tomarem participação nos ensaios, eles estarão incapazes de realizar a obra musical. Desafinações, lapsos na execução e notas erradas poem em risco a harmonia e beleza da música em questão.
E por fim, o regente. Se esse não for capaz de com seu carisma, profissionalismo e conhecimentos técnicos 'informar' os músicos da orquestra, por melhor que seja a música, e independente da qualidade dos músicos, não haverá, de fato, uma 'orquestra'. O regente deve ser capaz de agregar todos os músicos com suas diferentes habilidades e personalidades para uma meta comum, dar vida à música. Regente e orquestra devem se entender; e só se entende o regente quando se sabe o que esperar dele; se seus movimentos são mais sutis ou mais bruscos, o que cada uma das variedades de olhar dele representam; enfim, todo um gestual e atitudes que definem seu estilo.
Certamente, se a música for adequada à ocasião, o regente preparado e os músicos bem ensaiados e habilidosos, o objetivo será alcançado. Mais uma vez a 5ª de Beethoven nascerá nova e única naquele momento. A Sinfonia Fantástica de Berlioz tocará os corações apaixonados e sofridos, o Choros nª6 de Villa-Lobos ira acender o amor pela arte brasileira. Enfim, pessoas serão tocadas por mensagens vindas do mundo todo em muitas épocas; espírito escrito no papel.
Por outro lado, se os músicos não forem hábeis aos instrumentos ou não tomarem participação nos ensaios, eles estarão incapazes de realizar a obra musical. Desafinações, lapsos na execução e notas erradas poem em risco a harmonia e beleza da música em questão.
E por fim, o regente. Se esse não for capaz de com seu carisma, profissionalismo e conhecimentos técnicos 'informar' os músicos da orquestra, por melhor que seja a música, e independente da qualidade dos músicos, não haverá, de fato, uma 'orquestra'. O regente deve ser capaz de agregar todos os músicos com suas diferentes habilidades e personalidades para uma meta comum, dar vida à música. Regente e orquestra devem se entender; e só se entende o regente quando se sabe o que esperar dele; se seus movimentos são mais sutis ou mais bruscos, o que cada uma das variedades de olhar dele representam; enfim, todo um gestual e atitudes que definem seu estilo.
Certamente, se a música for adequada à ocasião, o regente preparado e os músicos bem ensaiados e habilidosos, o objetivo será alcançado. Mais uma vez a 5ª de Beethoven nascerá nova e única naquele momento. A Sinfonia Fantástica de Berlioz tocará os corações apaixonados e sofridos, o Choros nª6 de Villa-Lobos ira acender o amor pela arte brasileira. Enfim, pessoas serão tocadas por mensagens vindas do mundo todo em muitas épocas; espírito escrito no papel.

Nenhum comentário:
Postar um comentário