Quando vejo Lula, Tiririca, Romário e outros de origem humilde (porque pobres já não são há tempo), que lutaram, cada um nas suas respectivas áreas e que hoje estão ou estiveram em posição de destaque político, vejo bem do que se trata a 'meritocracia'. Estes são exemplos de cidadãos que pagaram um preço para se tornarem figuras públicas, seja pela originalidade, irreverência, competência, etc. Não sendo contrário à presença de técnicos, especialistas e doutores para os cargos administrativos e secretarias - reconheço que a meritocracia dos críticos reside na maioria dos casos em 'histórico escolar' (educação formal). Tendo em vista que a educação formal forma muitas mediocridades elegantes como já escrevi no blog uma vez, fica nítido que na realidade o termo 'educação/mérito' que é usado pelos críticos tem o sentido desgastado da 'educação formativa' a qual, até pouco tempo, só pequena parte da população tinha acesso. Frequentar uma escola, saber francês, latim, mais recentemente inglês...
Essa 'meritocracia' é uma extensão do direito divino dos reis em nossa democracia. Uma população que reclama de impostos e do preço do iPhone, que poderia muito bem, pelo fetiche da tecnologia, não se incomodar se uma família nordestina tá ganhando 1/15 o valor do gadget pra não passar fome.
Mérito na sociedade preconceituosa e elitista Brasileira é justamente fazer o que esses caras sem instrução fizeram. Ser ousado, acreditar, e, de vez em quando, dançar conforme a dança já instituída pelos 'meritosos' que abriram o baile, e que continuam ditando os passos.
Chiquinha Gonzaga, Ernesto de Nazareth, Cruz e Sousa, meu bisavô. Gente que lutou contra o preconceito pra fazer com qualidade o que amava. Não perfeitas, mas com o mérito de não aquiescer para a política racial e eugenista que ainda prevalece em centros ditos mais 'desenvolvidos' do país.
E que venha 2014...vamos ver muitos tigres bufando.

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