Bem vindo ao "Pensar não é pecado": o juntar de uma miscelânea de coisas que me interessam pessoalmente; textos sobre arte, música, poesia, fé na humanidade e teologia cristã, entre outros temas. A proposta desse blog é ser um espaço para livre exposição de ideias, de produção artística e de compartilhamento, além de manter contato com amigos próximos e mais distantes. Um abraço a todos, e sejam bem vindos!
quinta-feira, 21 de abril de 2016
Brasil: a conquista da Babilônia pelo 'povo de Deus'
Eu não entendo o que os 'homens de Deus que aí estão' estão fazendo no Congresso Nacional.
Pelo menos aqueles que se identificam assim. Que tem orgulho de mostrar-se perante o país inteiro e seus colegas políticos dessa forma. Até onde eu lembro, homens e mulheres de Deus (sem aspas agora), no meio de gerações corrompidas e corruptas como a nossa precisavam se esconder em cavernas, pois corriam risco de vida. Denunciavam a corrupção generalizada... e, pior, eles mesmos não podiam ser acusados de nada, daí o ódio e a inveja, frequentemente conduzindo-os à morte ou ao isolamento.
No nosso caso, parece que dizer isso [que são de Deus] os blinda de alguma coisa.... como se fosse uma mandinga ou algo para criar identificação com o eleitor 'evangélico' que os blinda nas urnas. No fim, parece que blinda mesmo, e blinda outros também que andam na cola deles, como o nosso 'fascista' de estimação que vem sempre junto dos congressistas 'evangélicos' nos eventos (nele a boa nova se tornou essa: bandido bom é bandido morto). Um colega opositor disse a algum deles que o que dá sustentação à cadeira de um deles tem cheiro de enxofre (acho que não estava falando do lobby armamentista... mas de algo mais profundo).
De qualquer maneira me pergunto, qual o sentido profético dessa tentativa de conquistar o Brasil que eles defendem tanto? (ou melhor, conquistar a política no Brasil?). Que Bíblia esses caras leem?
Falando de Bíblia, deixa eu fazer um paralelo que ilustra um pouco essa questão. A relação do antigo Israel com Egito, Babilônia e Jerusalém. Acho o Velho Testamento muito pedagógico e dá pra extrair excelentes lições da história de Israel para o nosso tempo (MT 13:52).
Egito
Quando Israel teve que se rebelar contra o Egito - porque era plano de Deus lhes dar uma terra - você não vê Moisés fazendo um motim entre os numerosos hebreus. Não; Moisés, 40 anos antes, após matar um egípcio para defender um hebreu precisou fugir do Egito. Fez na sua força, foi envergonhado. A bem da verdade, Israel não teve de 'se rebelar contra o Egito', mas obedecer a Deus. Na volta, a única coisa que Moisés tem que fazer, é profetizar; falar às autoridades egípcias que de repente Deus apareceu a ele e disse que tinha desejado tirar os hebreus dali para cumprir com o seu propósito universal. O sentido de Moisés é tão claro a esse respeito que depois que fala ao Faraó pela primeira vez e Faraó endurece o trabalho dos hebreus ele não diz aos seus compatriotas 'Não trabalhem, vamos protestar contra o Faraó para ele ver o que é bom'. Não fez isso; antes, na obediência do povo, o Senhor realizou os milagres conhecidos como as 'Dez Pragas'.
Israel
Quando chegaram à terra de Canaã, que era o lugar para eles, lutaram, expulsaram, em parte, os povos das regiões. A ideia era, sim, serem um povo separado, oráculo de Deus, nação justa, e testemunho eterno do propósito de Deus para o mundo. Demorou bastante tempo até que a coisa se ajustou, o auge disso é o reinado de Davi e a conquista de Jerusalém, cidade profética para a manifestação do Messias e cumprimento final da promessa de Deus à Abraão ("Em ti serão benditas TODAS famílias da Terra").
Certo momento, esquecendo do seu propósito, o povo - mal orientado pelos reis e sacerdotes que também davam mal exemplo - começaram a admitir práticas injustas/idólatras, tudo junto. Uma coisa vem junta com a outra: sacrifícios humanos, injustiça social, orgias, tribunais tendenciosos, assassinatos... Aí surgem os homens de Deus (profetas): entregam a mensagem, mas quanto pior o estado do povo mais cruelmente eram mortos, com poucas exceções.
Então Deus envia o povo para o Exílio na Babilônia, como juízo.
Babilônia
Chegando na Babilônia uma série de falsos profetas animavam o povo com a ideia que o exílio era curto. Não, a profecia já tinha sido dada à Jeremias; seria 70 anos fora de Jerusalém. A choradeira começa, mas o profeta diz:
"Construam casas e habitem nelas; plantem jardins e comam de seus frutos. Casem-se e tenham filhos e filhas; escolham mulheres para casar-se com seus filhos e dêem as suas filhas em casamento, para que também tenham filhos e filhas. Multipliquem-se e não diminuam. Busquem a prosperidade da cidade para a qual eu os deportei e orem ao Senhor em favor dela, porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade dela
Jeremias 29:5-7
Parafraseando: "Vocês vão ficar algumas gerações aí. Não pensem que vão transformar isso em Jerusalém, esse não é o lugar de vocês. Mantenham Jerusalém nos corações de vocês. Por outro lado, busquem o bem desse lugar. Nada de jogar no time do contra, porque agora vocês dependem do bem da Babilônia.
Brasília
Bom, resumindo a história: o povo volta à Jerusalém, tem um arrependimento. Gerações depois, Israel é inserida num contexto global da época pelo domínio romano, vem o Messias e explica a realidade espiritual por detrás de toda experiência histórica de Israel e finalmente diz: O meu Reino não é deste Mundo (João 18:36). A mensagem se espalha por todo o mundo conhecido.
Fica claro para os seguidores de Yeshua que a Jerusalém que esperam é espiritual. Entretanto, segundo podemos perceber pelos escritos apocalípticos, Babilônia também é espiritual (Apocalipse 17:1-6).
Quando vemos as realidades que assolam o nosso país: a extrema pobreza, o genocídio, violência, o desrespeito ao dinheiro público e como isso tudo está entranhado no sistema e em grande parte do povo, temos que responder para nós mesmos, nós que temos consciência da realidade espiritual: isso aqui é Babilônia ou Jerusalém? Nossa estratégia será 'guardar e viver Jerusalém no nosso coração' anunciar a justiça e o amor para os outros ou 'tomar essa terra dos cananeus' como se fosse Jerusalém? Ora, basta percebermos as alianças espúrias que são feitas entre os congressistas ditos evangélicos para entendermos! As sagradas escrituras dizem que:
E ele [o anjo] bradou com voz poderosa: "Caiu! Caiu a grande Babilônia! Ela se tornou habitação de demônios e antro de todo espírito imundo antro de toda ave impura e detestável, pois todas as nações beberam do vinho da fúria da sua prostituição. Os reis da terra se prostituíram com ela; à custa do seu luxo excessivo os negociantes da terra se enriqueceram". Então ouvi outra voz do céu que dizia: "Saiam dela, vocês, povo meu, para que vocês não participem dos seus pecados, para que as pragas que vão cair sobre ela não os atinjam!"
Apocalipse 18:2-4
Pelos frutos os conhecereis. O Brasil não é para ser 'conquistado', pelo menos não pelos cristãos. Esse Brasil, imaginário, não existe para Deus. O que existe são as pessoas com as quais nos relacionamos e a necessidade de provarmos se a Jerusalém espiritual está em nossos corações, ou estamos embriagados com o vinho da Babilônia.
Como alguém que supostamente defende o evangelho se associa com alguém que defende a tortura?
Porque que os que supostamente defendem 'valores cristãos' são, muitas vezes contra os pobres?
Porque os que falam em nome de Deus aparentemente tem sede de sangue?
"Saiam dela, vocês, povo meu, para que vocês não participem dos seus pecados, para que as pragas que vão cair sobre ela não os atinjam!"
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Gabriel
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Um comentário:
Ufa não sou e.t! Exatamente o que penso!
A verdadeira igreja precisa se posicionar.
Para fazer diferença neste mundo.
Ser luz e sal da terra.
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