Bom, hoje vou fazer uma coisa não usual; fazer uma crítica de um filme que vi e que não recomendo que assistam, para que não pensem coisa de mim, no fim das contas (risos).
Brincadeiras a parte, falarei do filme No Strings Attached (Sexo sem Compromisso, em português), a única comédia romântica que estava em cartaz no cinema que fui e um filme que eu estava curioso para assistir. Curioso, porque havia lido comentários sobre ele no canal MSN; se tratava de um filme que ia subverter o formato clássico das comédias românticas: um casal (Ashton Kutcher e Natalie Portman) que começa nos ‘finalmentes’ e que apenas ao fim do filme começariam a sentir algo a mais um pelo outro.
Achei interessante a ideia do diretor, porque o roteiro poria em discussão um dos aspectos característicos dos relacionamentos ‘afetivos’ da atualidade: a casualidade, a fuga do compromisso e a dificuldade das pessoas contemporâneas de lidarem com o dilema do ouriço, o aproximar-se sem se ferir mutuamente. Além de quê iria separar em boas caixinhas o sexo do amor, ao fim deixando claro que o ‘mais importante é o amor’ (parafraseando um ótimo livro).
É interessante, contudo, que durante todo o filme a impressão que se tem é que se trata de uma comédia romântica comum; o fato de o diretor ter posto o ‘rala-e-rola’ no início do filme parece apenas uma mudança superficial e sintagmática, mantendo a mesma estrutura: enquanto não há amor - e amor correspondido - não há o fechamento da trama. O filme nos conduz nessa direção, como em todas as comédias românticas.
Mas há uma diferença importante; pelo fato de haver a relação física (que de certa forma denota intimidade) e a amizade entre o casal protagonista, a tensão de que haja uma conclusão satisfatória é bastante forte. Há o jogo de ciúmes entre o melhor amigo da moça e o protagonista, pois aquele tem algo que esse não tem, apesar de ter sexo com ela: a amizade, a atenção e o carinho. Essas tensões tornam o filme meio desesperador em alguns momentos.
Agora, umas palavras minhas sobre o tema do filme, a distinção entre sexo e amor. Particularmente, penso que sexo sem amor (Vênus sem Eros e Eros sem Ágape, como diria C.S Lewis) é função biológica, e não compensa totalmente o esforço e a dedicação dos participantes. Acho que muita gente endeusa o Sexo (com ‘S’ maiúsculo, para personificar) e, fora a grande quantidade de propaganda em cima do assunto, não encontro motivo bíblico ou filosófico para tal atitude. Vejo o assunto com pragmatismo: não acho que o sexo consagra um casamento – com certeza há casamentos sólidos com pouquíssima frequência sexual -, não acho que una duas almas, mas sim, dois corpos; não é o equivalente ao amor, e sim, ao desejo (há muitas formas de se fazer sexo que não se assemelham à qualidade de amor que apreciamos).
Agora, penso sim, que a experiência sexual dentro de um relacionamento de amor verdadeiro e maduro (mais que não caia de ma’duro’ :P) é sublime e especial, pois é uma metáfora física do que acontece na alma (quem sabe no espírito?). A união dos corpos que se amam é sem dúvida a experiência máxima de plenitude individual que se possa experimentar na Terra. Mas sem o amor verdadeiro e sofredor, o sexo é distração e entretenimento - não que seja ruim por isso, mas saber que há pessoas que só o experimentam nesse nível é saber que há pessoas que vivem com menos do que poderiam ter! E parece que é isso que leva a tensão ao filme, a audiência querendo observar essa completude, essa experiência relacional completa, que até então os protagonistas não tinha experimentado: o andar de mãos dadas, o café-da-manhã e o abraço longo.
P.s: Todas minhas opiniões sobre sexo são fruto de minha elucubrações noturnas...rá!
P.s.2: peloamordi, se você não sabe o que são ‘elucubrações’ vá ler o dicionário antes de pensar bobagem de mim!

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