Exercito de Salvação

segunda-feira, 17 de março de 2014

Reflexão em ano eleitoral: a quem interessa o quê?


Algumas anotações minhas após a aula com o embaixador Dr.Samuel Pinheiro Guimarães.

- A quem interessa que identifiquemos o 'marginal' e 'criminoso' como nosso principal "inimigo público" antes de qualquer análise? Porque os jornais se dedicam tanto à divulgação da criminalidade, em especial a violenta e vinculada ao um indivíduo específico? Com que propósito? Em meu ponto de vista, fazem assim para que não percebamos quais são nossos reais opressores e a conjuntura econômica-politica-social internacional e local em que estamos inseridos, como país em 'eterno' desenvolvimento onde a elite econômica não tem interesse no desenvolvimento de infra-estrutura e tecnologia nacional (e não estou falando de nenhum de vocês, meus amigos do Facebook, mas da elite de verdade, aquela que tem muita grana).

- Países que divergem da organização econômica mundial são sistematicamente difamados, quando não, destruídos. Foi assim com o Paraguai, Iraque, Irã, Síria e é assim com Venezuela, Rússia (a qual eles não tem coragem de se envolver), Ucrânia...

- Portanto, é de extrema importância o aparelhamento das forças armadas, para defesa dos interesses nacionais, como uma força de dissuasão de possíveis ataques contra a soberania e contra as políticas de democratização que são antagônicas ao neocolonialismo liberal. É necessária, também, uma reforma das mesmas forças, sendo democratizadas e atuando em defesa dos verdadeiros interesses públicos.

- Contudo, em países recém saídos de ditaduras militares, há uma grande desconfiança com relação aos militares. Na realidade, o golpe de 64 não foi um 'golpe militar', mas um Golpe Civil-Midiático-Militar, bancado por civis e aglomerados empresariais. Hoje o Jornal O Globo, por exemplo, emite um editorial sobre o "Golpe Militar", se eximindo da responsabilidade de um dos importantes patronos do Golpe. Quem ganha com esse medo dos militares? Os mesmos que ganharam com o Golpe; aqueles que querem o país desprotegido, militarmente insignificante.

Pra finalizar, Ciência, Tecnologia e Educação são imprescindíveis para o real desenvolvimento da nação, e industrialização e variedade de exportações também o são. Portanto, não é de se estranhar que os críticos ao Governo sejam pessimistas e apontem os índices que lhes convém. Criticam a corrupção no governo atual e a vinculam a um partido, criando um novo 'inimigo público', contrário aos seus interesses neoliberais dos quais sempre se beneficiaram.

A gente muitas vezes faz coro com eles sem saber, por motivos quaisquer:

- "O Brasil vai sucumbir à Crise"
- "O Brasil não conseguirá produzir navios em Estaleiros nacionais"
- "O Brasil não deveria gastar tanto com Caças Suíços"
- "A copa é uma bobagem e tem que dar errado"
- "O Mais médicos é uma fraude"
- "Bolsa Família é Bolsa-Esmola"

E não percebe que o governo atual é o que mais investiu em Infraestrutura, Ciência e tecnologia, Ensino Superior de Qualidade, Formação de Técnicos, Política Externa real, combate a desigualdade e geração de emprego e renda per capita.

Por fim, estamos em ano de eleição, com o Pânico moral da "Corrupção", sendo associada, unicamente, ao partido com maior representação popular. É estratégico, e, infelizmente, a sorte está lançada.

Um comentário:

Aida disse...

Oi Gab! Você aponta para um ponto muito interessante, que é a culpabilização das camadas populares pela violência. Muito importante realmente refletir sobre como a nossa experiência pessoal com um morador de rua ou uma pessoa muito pobre é perpassada por tantos conceitos e preconceitos que são produzidos como decorrência de um sistema desigual, opressor e injusto. Pensamos sobre criminalidade, marginalidade e sentimentos de medo e revolta (como no caso das pessoas que fizeram justiça com as próprias mãos recentemente) vinculados pela grande mídia e que servem sim aos interesses daqueles aos quais você faz menção. A nossa revolta vai toda contra o marginalzinho que roubou a loja, a moto, a padaria e desejamos que eles se ferrem mesmo, que paguem pelos seus "pecados", aumentando ainda mais a desigualdade e crueldade contra as pessoas ao invés de diminui-las, generalizando essa atitude para com toda uma camada social (se é que ainda se fala assim) quando isso é exatamente o que a elite deseja, que haja diferença social, que haja pobreza, que haja mão-de-obra barata, que haja sobre quem mandar. E nós (classe media) fazemos exatamente o que eles esperam.

Acho que isso se relaciona de uma ou outra forma com todos os pontos que você menciona.

Com relação às forças armadas, entendo que você disse sobre elas serem reformadas e democratizadas e como elas podem ser vitais na defesa dos nossos interesses. No entanto, há que se reforçar que, cada instituição, por mais submissa que seja a comandos centrais que prezem pelos "verdadeiros interesses públicos" tem sua própria cultura e seus próprios interesses, suas próprias ideologias... e essas são coisas que se propagam ao longo de gerações e gerações. Uma coisa é pensar em um cenário ideal em que todas as pessoas pensam em prol da liberdade e da valorização da vida (de todas as vidas) e no qual não há abuso de poder. Outra coisa é mudar todo um pensamento institucional secular (que encontra sim apoio na sociedade civil, como você bem apontou), que em um passado recente causou muitos danos à liberdade e à democracia e muita dor na sociedade. Não sei até que ponto a militarização deve ser incentivada e expandida sem riscos. Gostaria de conversar mais com você sobre isso, entender melhor o que você pensa a respeito.

Essa aula parece ter sido realmente muito provocativa e instigante! Legal :)

Seja bem-vindo(a)!

Sinta-se livre pra desenvolver os assuntos aqui. Os próximos textos vão levar em consideração os comentários lidos!

Vamos tentar rir juntos, também.
Sempre é possível.

Gabriel