Exercito de Salvação

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

A melhor recompensa

Gostamos de ser recompensados. 
 
Quem diz não gostar de ser recompensado pelo que faz obtém a recompensa ainda mais depressa: a sensação de modéstia que recebe ao negar a si mesmo outra recompensa que alguém poderia dar (ainda que às vezes a modéstia seja falsa).

Querendo ou não, recebemos recompensas por todas as nossas ações, boas ou ruins.

A sensação de não necessitar de recompensa não é característica exclusiva de pessoas que se sentem "boas pessoas". Pessoas menos recomendáveis também a compartilham quando torcem para que Deus - ou um conceito mais abstrato de Justiça Divina - não exista, para que não recebam aquilo que elas merecem pelas pilantragens que fizeram. Essas não querem sua "recompensa", e tem bons motivos para não querê-la.

Parece que muitos dos que seguem a Jesus extraem algo do seu ensino que os encoraja a não buscar recompensa. Alguns versículos soltos: "andar a segunda milha, dar a capa, emprestar e não esperar devolução...".
Nada podia estar mais errado. O resultado é que vemos um monte de gente fazendo um monte de coisa 'pra Deus e para o próximo" que realmente não quer fazer. Exércitos de pessoas piedosas de cara amarrada e resmungando. Não tem pior tempero para a piedade que a falsidade. Na falta de opção, muitas vezes a pessoa que recebe esse 'amor' engole toda a colher do xarope, mas lá no fundo sente o amarguinho e torce: "espero que não seja veneno".

Na verdade, o ponto central do ensino de Jesus é que existe, sim, recompensa. Todo mundo vai ser recompensado, vai colher o que plantou. O destino é menos responsável pelas nossas vidas, os Césares são circunstanciais: ninguém pode nos impedir de receber o que é nosso. Como dizemos por ai, o que é nosso tá guardado.

Não somente isso, Jesus apontou para uma recompensa maior e melhor. No Sermão do Monte (Mateus 6,7 e 8) ele ensinou que temos duas opções: podemos escolher entre receber a recompensa das pessoas pelas coisas boas que fazemos ou podemos receber publicamente (NTLH) a recompensa de Deus. Para Jesus "os meios justificam os fins". Algo só é  bom se o meio for o correto. O dinheiro que dou ao necessitado o auxiliará de qualquer forma; mas se dou para ser reconhecido pelas pessoas, já recebi minha recompensa, uns tapinhas nas costas e um sentimento de grandeza inadequado. Se o dou com sinceridade, sem necessidade de publicidade exagerada, minha motivação é verdadeiramente boa e isso já é parte da recompensa. Afinal, ser bom é legal.

Jesus nos disse que há recompensa para todas as boas ações que fazemos. A primeira das recompensas é aprendermos a fazer boas coisas, como o Pai dele e nosso faz. Outra coisa da qual o ensino dele nos livra é a vontade de fazer só o "bem" que os outros aceitam que façamos. Se eu faço coisas boas com a intenção de receber reconhecimento de gente, meu rol de "coisas boas pra fazer" é bastante limitado. Limita-se aos costumes do meu tempo e sabemos que uma das principais funções do costume e 'deixar as coisas como estão' e essa não é bem a vontade do Pai. Cristo nos impulsiona a fazer coisas realmente boas, algumas vezes completamente insanas para o nosso tempo, e garante que recompensas ainda mais loucas nos esperam.

O escritor da carta aos Hebreus disse que sem fé é impossível agradar a Deus, porque aqueles que se aproximam dele precisam acreditar que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam. Esperar recompensa de Deus - muitas vezes em detrimento da recompensa de pessoas - é sinal de fé.

Mas quando o Filho do Homem vier, encontrará fé na terra?


 

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Gabriel