Hoje alguém comentou que tivemos uma semana de Disney no mundo real: um casamento entre um príncipe e uma 'comum' e a morte do vilão. Às vezes, a impressão que eu tenho é que realmente tentam nos ensinar a lermos nossas vidas como um romance; uma história onde hajam perfeitos culpados e inocentes, um lado certo a se ficar, uma causa inquestionável a se defender.
De vez enquanto os teóricos da conspiração chegam a pensar se tudo não é uma grande armação, um teatro, e que as forças de 'bem' e 'mal' estão a combinar seus papéis para nos entreter e fascinar com tramas simples e de efeito, nos oferecendo uma forte sugestão de sentido e direção às nossas existências (uma direção que mantenha a máquina funcionando).
Tudo é cerimônia; tudo é alegoria; desde o casamento de Kate e Willian até o assasinato de Osama.
Pergunto a mim mesmo se houve mais alegria e comoção na frente da Abadia de Westminster no casamento real (pois os outros são falsos?) ou na frente da Casa Branca com a celebração da morte de Osama.
Admito que estive bem apático em relação às notícias de Kate Middleton e Willian Windsor, mas meu interesse especial sobre casamentos esse ano me fez observar coisas na cerimônia e me detive a pensar acerca do que a emissão global de uma cerimônia de casamento significa em nosso tempo (algo que não vou falar nesse momento).
Contudo, a morte do Bin Laden me leva a uma outra reflexão. É sempre triste falar sobre assassinato, e a questão não é tanto numérica quanto simbólica. Isso pode ser comprovado pela fato de a morte de apenas uma pessoa reaver, de certa forma, a dignidade de uma nação e a vida dos 3.000 mortos no WTC (sem falar dos combatentes mortos e mutilados na guerra).Faço coro a um representante do Vaticano que falou pelos cristãos ao dizer que nós não celebramos a morte de ninguém, mesmo sabendo que essa pessoa prestará contas a Deus do mal que fez. Mas isso também não será exclusivo ao Bin Laden; Bush e Reagan também prestaram contas das atrocidades que fizeram ou, por omissão, não evitaram.
Lembro que me senti muito incomodado com o enforcamento do Saddam Hussein em 2006. Em parte pela degradação que um enforcamento nos leva a observar (e bastante comiseração com relação ao enforcado), e por outro porque sabia que isso não ia mudar a situação, conduzindo à paz ao Oriente Médio.
Observo com o mesmo ceticismo a celebração dos americanos pela morte do personagem que eles mesmo criaram. Não há lados absolutamente corretos, depende do ponto de vista do repórter, do historiador, do governo. Nenhum lado é absolutamente bom nem mal, existe bondade e maldade de todos os lados. De qualquer forma, nós, seres humanos, não sabemos lidar bem com absolutos...
Que Deus salve a América...

Um comentário:
A vida imita a arte ou a arte imita a vida?
De fato, há uma série de tópicos que podem ser discutidos com base no seu texto. Gostei bastante da perspectiva que você trouxe aqui, realmente faz pensar bastante.
É algo realmente desafiador pensar pelo lado de alguem que causou tanto mal, ou simplesmente não desejar-lhe mal apesar de tudo. Ao mesmo tempo que é curioso o fato de deixar-se levar (ou não) pela aparente magia de uma história de amor. São coisas que refletem nossas características como humanos, sejam elas vistas como defeitos ou qualidades.
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